O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) decidiu não aceitar o acordo de colaboração proposto por Mohamad Hussein Moraes, conhecido como “Primo”, e Roberto Augusto Leme da Silva, apelidado de “Beto Louco”, ambos foragidos e autodeclarados empresários ligados à operação Carbono Oculto. Essa operação é considerada a maior ofensiva já realizada contra o envolvimento do PCC com o setor financeiro da região da Faria Lima, na capital paulista.
+ Leia mais notícias de Brasil em Oeste
Segundo o procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, as informações oferecidas pelos investigados não justificam concessões como redução de pena ou anulação das ordens de prisão. Promotores envolvidos no caso criticam a estratégia de defesa dos acusados, que negam vínculo com o crime organizado. Para os investigadores, o objetivo dos empresários seria proteger bens obtidos de forma ilegal no mercado de combustíveis.
Proposta rejeitada pelo Ministério Público
Os investigados sugeriram devolver cerca de R$ 1 bilhão ao Estado, mas o Ministério Público estima que o valor sonegado ultrapassa R$ 4 bilhões. De acordo com os promotores, os acusados omitem detalhes sobre lavagem de dinheiro e ligações diretas com o PCC. Em documentos anexados à proposta, mencionam apenas um juiz já afastado e processado, sem trazer novas informações relevantes para o caso.
Divisão interna e antecedentes do caso
A decisão do procurador-geral põe fim a um impasse que se prolongava há meses dentro do Ministério Público. Promotores do Gaeco de Piracicaba e São José do Rio Preto haviam classificado a proposta como prejudicial, e alegaram que ela incentivaria práticas criminosas. Representantes da Procuradoria Geral de Justiça entenderam que a colaboração não agregaria informações úteis à operação Carbono Oculto. Membros do Ministério Público contrários ao acordo também alertaram para o risco de desmoralização institucional, enquanto defensores dos investigados sustentam que eles possuiriam dados sobre políticos e um esquema de corrupção de quatro décadas envolvendo fiscais estaduais.
Antes da negativa em São Paulo, a Procuradoria Geral da República (PGR) já havia rejeitado os acordos. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, não considerou os relatos dos empresários suficientes para justificar a delação. Entre as denúncias apresentadas, constam irregularidades na Secretaria da Fazenda paulista, alvo recente das operações Ícaro, Mágico de Oz e Fisco Paralelo. No total, 40 auditores fiscais estão sendo investigados por suspeita de participação em um esquema bilionário de propinas relacionadas à antecipação de créditos tributários.
Leia também: “Os tentáculos do Master", artigo de Carlo Cauti na Edição 305 da Revista Oeste
O post MP-SP recusa acordo de colaboração de ‘Primo’ e ‘Beto Louco’, investigados na Carbono Oculto apareceu primeiro em Revista Oeste.
Este conteúdo é originalmente de Revista Oeste. Para a reportagem completa com todos os detalhes, acesse:
https://revistaoeste.com/brasil/mp-sp-recusa-acordo-de-colaboracao-de-primo-e-beto-louco-investigados-na-carbono-oculto/
Fonte: Revista Oeste · Por Yasmin Alencar