A Polícia Federal (PF) realizou nesta quinta-feira, 13, uma nova busca e apreensão na mansão do advogado Nelson Wilians, em São Paulo, no âmbito de uma investigação sobre um grupo empresarial suspeito de sonegação fiscal, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Segundo as autoridades, o esquema teria movimentado cerca de R$ 1 bilhão em operações ligadas à Pixbet e à exploração de apostas e jogos de azar.
A residência de Wilians já havia sido visitada por agentes federais em 15 de julho. Na ocasião, ele e a mulher, Anne Wilians, foram alvos de mandados em uma investigação sobre um esquema envolvendo escritórios de advocacia e consultorias que ofereciam créditos tributários a empresas paulistas com deságio.
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Segundo a apuração, os créditos eram apresentados como parte de supostos “planejamentos tributários” e como se tivessem sido regularmente autorizados pelo Fisco. A defesa de Wilians declarou, na ocasião, que recebeu a operação com “serenidade, transparência e absoluto espírito colaborativo”.
Investigação mira estrutura financeira no Brasil e no exterior
Na operação desta quinta-feira, a PF investiga uma estrutura societária e financeira que teria ramificações no Brasil e no exterior.
De acordo com a Receita Federal, o grupo teria criado mecanismos para aparentar que as atividades eram conduzidas fora do país, enquanto a gestão operacional, administrativa e decisória ocorreria em território nacional.
Ao todo, são cumpridos 17 mandados de busca e apreensão em cinco Estados. A decisão judicial também autoriza a apreensão de bens e valores de até R$ 1 bilhão, montante que, segundo os investigadores, estaria relacionado aos recursos movimentados pelo grupo.
A investigação teve origem em uma decisão da Justiça da Paraíba. A PF aponta que Wilians faria parte do grupo investigado por supostamente conferir aparência de legalidade a operações relacionadas à exploração de apostas de quota fixa e jogos de azar, atividades que eram ilegais no período investigado.
A defesa do advogado afirmou que a relação entre o escritório de Wilians e a Pixbet é “estritamente profissional” e decorre da prestação de serviços jurídicos. “O escritório repudia qualquer tentativa de associar a atuação profissional de seus advogados às atividades ou condutas atribuídas a seus clientes”, afirmou.
“É preciso ter cautela para que o legítimo exercício da advocacia não seja indevidamente criminalizado em razão da natureza ou das atividades daqueles que o advogado representa”, acrescentou a defesa.
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