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Mais de 350 políticos do RJ contrataram gráficas sob suspeita de ligação com bicheiro

Mais de 350 políticos do RJ contrataram gráficas sob suspeita de ligação com bicheiro

Brasil Estado | 14/07/2026 às 22:00 | há 3 meses | 3 min de leitura

Um grupo de gráficas investigado por suposta ligação com o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, recebeu R$ 18 milhões de campanhas eleitorais de mais de 350 candidatos no Rio de Janeiro de 2018 a 2024.

As informações constam em um levantamento publicado pelo portal UOL nesta terça-feira, 14. As gráficas investigadas são: a Nova Visual, a Apel Gráfica e a Gráfica Editora Completa.

Entre os mais de 350 candidatos que contrataram os serviços das gráficas estão:

  • Eduardo Paes (PSD), então prefeito do Rio de Janeiro;
  • Cláudio Castro (PL), então governador do Rio de Janeiro;
  • Wilson Witzel (DC), ex-governador do Rio de Janeiro;
  • Alexandre Ramagem (PL), ex-deputado federal do Rio de Janeiro;
  • Carlos Bolsonaro (PL), ex-vereador do Rio de Janeiro;
  • Dr. Luizinho (PP), deputado federal do Rio de Janeiro;
  • Rodrigo Amorim (PL), deputado estadual do Rio de Janeiro, e
  • André Ceciliano (PT), ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro.

A reportagem analisou as prestações de contas entregues pelos candidatos ao Tribunal Superior Eleitoral. Os documentos mostram que as campanhas contrataram as empresas para produzir santinhos, adesivos, panfletos e outros materiais gráficos.

PF investiga gráficas

A Polícia Federal (PF) afirma que há indícios de que as gráficas funcionavam como empresas de fachada e integravam um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao contraventor Adilsinho.

A decisão do relator do caso, ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, que autorizou a continuidade das investigações, no entanto, ressalta que a contratação das empresas, por si só, não configura irregularidade. A PF agora apura se as gráficas prestaram os serviços contratados e se tinham estrutura para executar os trabalhos declarados nas prestações de contas.

https://www.youtube.com/watch?v=JhugZgZzQ1o&pp=ygUWcmV2aXN0YSBvZXN0ZSBiaWNoZWlybw%3D%3D

A PF afirma que Adilsinho é um dos principais nomes da contravenção ligada ao jogo do bicho no Estado fluminense. Segundo os investigadores, ele também comandava um esquema milionário de falsificação e distribuição clandestina de cigarros no Rio de Janeiro.

O contraventor voltou a ser alvo de um mandado de prisão em uma das fases mais recentes da Operação Unha e Carne. O inquérito investiga suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção e atuação de organizações criminosas.

Candidatos afirmam que contratações seguiram a lei

Políticos e campanhas afirmam que contrataram as gráficas de forma regular, com emissão de notas fiscais e registro das despesas na prestação de contas enviada à Justiça Eleitoral. Eles também ressaltam que desconheciam qualquer eventual ligação das empresas com o contraventor investigado.

Em nota, Adilsinho negou qualquer relação com as gráficas investigadas. O contraventor afirmou que jamais efetuou pagamentos a agentes públicos ou políticos e disse confiar que os fatos serão esclarecidos durante o processo judicial.

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