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Lula volta a criticar Toffoli por decisão que restringiu ida a funeral do irmão

Lula volta a criticar Toffoli por decisão que restringiu ida a funeral do irmão

Brasil Estado | 17/08/2026 às 14:00 | há 1 mês | 4 min de leitura

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar neste domingo, 17, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), ao relembrar a decisão que restringiu sua ida ao funeral do irmão Genival Inácio da Silva, o Vavá, em 2019. Durante um ato de campanha em São Bernardo do Campo (SP), o petista afirmou que a medida partiu de um ministro que havia sido indicado por ele ao Supremo.

Sem mencionar Toffoli pelo nome, Lula comparou o episódio ao período em que esteve preso durante a ditadura militar e recebeu autorização para acompanhar o enterro da mãe, Dona Lindu.

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“Você veja a diferença. No tempo da ditadura militar, um delegado de polícia permitiu que eu saísse da cadeia para vir no enterro da minha mãe", disse Lula. "Agora, no regime democrático, um juiz, um ministro que eu indiquei não permitiu que eu saísse da cadeia para vir no enterro do meu irmão Vavá.”

Toffoli e Lula já tiveram relações amistosas | Foto: Reprodução/Redes sociais

Na sequência, o petista afirmou que o episódio, em sua avaliação, demonstraria que a conduta de uma pessoa deve ser medida por seus valores. “Os homens são medidos pelo caráter, pela dignidade, pela criação que ele teve de berço”, declarou.

Decisão impediu ida de Lula ao funeral

Vavá morreu em 29 de janeiro de 2019, aos 79 anos, vítima de câncer. Naquele período, Lula estava preso na Superintendência da Polícia Federal (PF) em Curitiba, em decorrência da condenação no âmbito da Operação Lava Jato.

A defesa do petista pediu autorização para que ele viajasse a São Bernardo do Campo para participar do velório e do sepultamento. O pedido foi negado inicialmente e chegou ao STF durante o recesso do Judiciário, quando Toffoli presidia a Corte e respondia pelo plantão.

O ministro autorizou Lula a deixar a prisão para se encontrar exclusivamente com familiares em uma unidade militar. A decisão previa ainda a possibilidade de que o corpo de Vavá fosse levado ao local, mas não permitia a participação do então ex-presidente no velório nem no cemitério nos moldes solicitados pela defesa.

Lula presta depoimento ao então juiz Sergio Moro, em 2017, antes de ser preso | Foto: Reprodução

A PF havia se manifestado contra o deslocamento nas condições requeridas e citou dificuldades operacionais e questões de segurança. Toffoli considerou que esses fatores não deveriam impedir completamente o encontro de Lula com os familiares, mas estabeleceu restrições.

A decisão foi divulgada quando o sepultamento já estava em andamento. Sem condições de acompanhar a despedida do irmão, Lula optou por não deixar Curitiba.

No discurso deste domingo, o presidente também relembrou a morte de Dona Lindu, em 1980. Ele estava preso por causa da greve dos metalúrgicos do ABC e afirmou que Romeu Tuma, então responsável pelo Departamento Estadual de Ordem Política e Social de São Paulo, permitia que ele visitasse a mãe durante a noite

“Toda semana ele me liberava. Depois das 10h30 da noite, eu vinha na Pauliceia, em São Bernardo, visitar a minha mãe e voltava para a cadeia. E, quando ela morreu, ele permitiu que eu viesse no enterro da minha mãe”, afirmou Lula.

O STF em 1965, quando a ditadura militar aumentou o número de ministros de 11 para 16 | Foto: Divulgação/STF

Toffoli pediu desculpa em 2022

O episódio que envolveu Vavá voltou a ser mencionado em dezembro de 2022, durante a diplomação de Lula para seu terceiro mandato presidencial. Segundo relatos divulgados na época, Toffoli procurou o petista e pediu desculpa pela decisão de 2019.

O ministro teria reconhecido que Lula deveria ter tido a oportunidade de acompanhar a despedida do irmão. A partir daquele momento, os dois retomaram a aproximação.

A relação voltou a enfrentar dificuldades neste ano, em meio às investigações relacionadas ao Banco Master. Aliados de Lula relataram um ambiente de desgaste e atribuíram ao presidente sentimentos de “decepção” e “traição” em relação ao ministro.

Segundo esses relatos, Lula considerava que Toffoli deveria deixar a relatoria das investigações por causa do desgaste provocado pelo caso. O ministro acabou deixando a condução do processo, que foi redistribuído ao ministro André Mendonça.

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