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Lula sanciona fim da 'taxa das blusinhas' sobre compras internacionais de até US$ 50

Lula sanciona fim da 'taxa das blusinhas' sobre compras internacionais de até US$ 50

Brasil Estado | 10/09/2026 às 19:15 | há 1 mês | 4 min de leitura

A pouco menos de um mês do primeiro turno das eleições, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou o fim da chamada “taxa das blusinhas”, cobrança de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 que entrou em vigor há pouco mais de dois anos — também com a sanção do próprio petista. 

A medida sancionada nesta quinta-feira, 10, encerra uma tributação impopular que arrecadou cerca de R$ 4,5 bilhões desde agosto de 2024 e consolida uma mudança de posição do governo em pleno período eleitoral.

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A nova lei é resultado da Medida Provisória 1.357/2026, editada pelo Executivo em maio e aprovada pelo Congresso na semana passada. Na prática, a isenção federal já estava valendo desde maio e, agora, a sanção consolida a mudança na legislação. O ICMS cobrado pelos Estados não foi extinto.

Ao anunciar a sanção, o governo mantém o regime simplificado de importação e dá ao Ministério da Fazenda competência para alterar as alíquotas do Imposto de Importação aplicáveis às remessas. O movimento fecha um ciclo iniciado pelo próprio governo Lula.

De ‘jabuti’ sancionado por Lula à retirada do imposto

A “taxa das blusinhas” nasceu em 2024 durante a tramitação do projeto que instituiu o Programa Mobilidade Verde e Inovação (Mover). A tributação de compras internacionais não fazia parte do objeto original da proposta, voltada à indústria automotiva e à descarbonização de veículos. 

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A cobrança foi aprovada pelo Congresso depois de negociações envolvendo o Legislativo e o governo. À época, o então ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu a tributação das remessas internacionais como parte da busca por maior isonomia entre produtos nacionais e importados. 

A Lei 14.902, sancionada em junho de 2024, estabeleceu a alíquota federal de 20% para compras de até US$ 50. A cobrança começou efetivamente em 1º de agosto daquele ano.

Dois anos depois, com a aproximação das eleições de 2026, o Palácio do Planalto passou a trabalhar pela retirada do tributo. Em abril, o próprio presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), dizia que havia divisão dentro do governo: ministros da área política defendiam o fim da cobrança, enquanto a equipe econômica argumentava que a receita era importante para as contas públicas e alertava para os efeitos sobre a produção nacional.

Em maio, Lula editou a MP que abriu caminho para zerar a alíquota. O Congresso concluiu a votação em 3 de setembro, a cerca de um mês das eleições, e entregou ao presidente a possibilidade de transformar definitivamente a retirada do imposto em lei.

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Governo mantém poder para alterar alíquotas

Apesar de extinguir a cobrança de 20% para as compras de menor valor, a legislação preserva instrumentos de controle nas mãos do Executivo. Segundo o texto sancionado, o ministro da Fazenda terá competência para modificar as alíquotas aplicáveis ao regime.

A norma também permite tratamento tributário diferenciado conforme a forma de importação e a adesão das plataformas ao programa de conformidade da Receita Federal. O Executivo poderá estabelecer limites de quantidade e frequência de compras e criar mecanismos contra o fracionamento artificial de remessas ou o uso do sistema simplificado para fins comerciais e de revenda.

A legislação estabelece ainda tratamento específico para a importação, por pessoas físicas, de determinados medicamentos destinados a doenças raras ou negligenciadas e sem similar nacional.

Efeitos serão monitorados

A retirada da taxa provocou reação de setores da indústria e do varejo, que sustentaram que a cobrança reduzia a diferença tributária entre produtos brasileiros e importados. 

Entidades empresariais classificaram a mudança como eleitoral e alertaram para possíveis efeitos sobre emprego e investimento. Plataformas de comércio eletrônico, por outro lado, defenderam a isenção como redução do custo para consumidores.

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Durante a tramitação no Congresso, foram incluídos mecanismos para acompanhar esses efeitos. O Ministério da Fazenda terá de realizar avaliações em intervalos de até seis meses sobre emprego e renda, competitividade da indústria e do varejo, preços ao consumidor, volume de remessas, arrecadação e diferenças entre produtos nacionais e importados.

O próprio Congresso também deverá produzir, até 30 de abril de cada ano, um relatório sobre os impactos econômicos e fiscais da medida.

Na divulgação da sanção, o governo afirmou que futuras decisões sobre o regime deverão considerar “a proteção do emprego e da renda” e o “fortalecimento da indústria e do comércio varejista nacional”, além da manutenção de preços acessíveis ao consumidor.

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