O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que pretende conversar com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para defender uma reunião entre as principais potências mundiais com o objetivo de buscar uma saída negociada para os conflitos internacionais.
A declaração ocorreu nesta quarta-feira, 5, em meio ao agravamento da crise diplomática entre Brasília e Washington, intensificada depois da revogação do visto da embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, Maria Luiza Viotti.
Durante entrevista ao canal Os Três Elementos, Lula afirmou que já tratou do tema com os presidentes da China, Xi Jinping, e da Rússia, Vladimir Putin, e disse que pretende fazer o mesmo com Trump.
“Na semana passada, liguei para o Xi Jinping para falar da necessidade do Conselho de Segurança se reunir”, declarou. “Ontem (terça-feira 4) falei com meu amigo Putin para eles se reunirem e vou falar com o Trump também.”
Na sequência, Lula defendeu que os líderes das maiores potências deixem de lado as divergências para abrir uma mesa de negociação.
“São cinco pessoas, se reúnam, tomem um café, um vinho, um uísque, qualquer coisa”, prosseguiu. “Você não tem, a nível internacional, uma esfera para discutir isso (conflitos) e chamar a negociação. Eu falei para o Putin e para o Xi Jinping e vou falar para o Trump: se reúnam, pelo amor de Deus. São os membros mais importantes do Conselho de Segurança, as três maiores potências. Se reúnam e coloquem o fim nesse conflito.”
Crise entre Brasil e Estados Unidos
Lula deu a declaração um dia depois de o governo americano revogar o visto da embaixadora Maria Luiza Viotti, primeira mulher a chefiar a representação diplomática brasileira em Washington.
O Departamento de Estado informou que a medida poderá ser revertida caso o Brasil conceda o agrément — a autorização diplomática necessária — ao indicado de Trump para assumir a Embaixada dos Estados Unidos em Brasília, Daniel Perez.
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O Palácio do Planalto, porém, rejeita que exista qualquer obrigação de acelerar o procedimento. Segundo Lula, os Estados Unidos tentam pressionar o governo brasileiro em um processo que, pelas regras diplomáticas, não possui prazo legal para conclusão.
O petista também disse que o próprio governo americano permaneceu por mais de um ano sem um embaixador efetivamente em exercício no Brasil e classificou a decisão de Washington como desproporcional.
Na entrevista, Lula revelou ainda ter pedido a Trump que permitisse a entrada nos Estados Unidos de 11 autoridades brasileiras impedidas de viajar ao país, mas disse que a solicitação foi negada.
Em resposta, o petista defendeu a decisão do Itamaraty de barrar a entrada de funcionários do Departamento de Estado que, segundo reportagem do Washington Post, seriam enviados ao Brasil para contestar a integridade do processo eleitoral brasileiro.
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