Durante entrevista à Super Rádio Tupi, transmitida na sexta-feira 18, o presidente Lula associou o escândalo do Master ao governo Bolsonaro.
O petista citou irregularidades cometidas pelo empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do antigo banco, e apontou Bolsonaro como “culpado” pelo caso, mas não mencionou as relações de integrantes do PT com pessoas ligadas a Vorcaro.
“O Banco Master foi criado no governo Bolsonaro”, escreveu o presidente no X, ao compartilhar trecho da conversa. “E foi fechado no meu governo”.
O Banco Master foi criado no governo Bolsonaro.
E foi fechado no meu governo. pic.twitter.com/byJnbVF9n4
— Lula (@LulaOficial) September 19, 2026
Lula atribuiu ao empresário um desfalque de R$ 60 bilhões. O petista também disse que o caso envolveu outros bancos e fundos de pensão de governos estaduais.
Relações de petistas com o Banco Master
Ao discorrer a respeito do processo, Lula não mencionou o senador Jaques Wagner (PT-BA), que aparece nas investigações da Polícia Federal (PF).
De acordo com a PF, Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro no Master, tinha parceria com Wagner, que atuou como líder do governo no Senado.
Segundo os investigadores, o senador manteve contatos com o empresário e acompanhou uma proposta legislativa de interesse do banco. A apuração também identificou suspeitas de pagamentos ligados ao Master ao núcleo familiar de Wagner.
A PF também apontou 74 ligações entre Wagner e Lima entre novembro de 2023 e maio de 2025.
Os investigadores afirmaram que a relação envolvia interlocução sobre pautas legislativas e operações de interesse do Master.
Wagner nega ter atuado em favor do banco e afirma que não cometeu irregularidades. A investigação ainda apura os fatos.
Lula relata encontro com Vorcaro
Na mesma entrevista, Lula afirmou que Vorcaro o procurou para reclamar das dificuldades enfrentadas pelo banco.
Segundo o presidente, o encontro durou cerca de 20 minutos.
Lula disse que respondeu ao banqueiro que o governo investigaria a instituição e que, se não encontrasse irregularidades, não fecharia o banco.
Leia também: “As digitais do PT no caso Banco Master”
De acordo com as investigações, o encontro entre o presidente e o ex-controlador do Banco Master ocorreu em 4 de dezembro de 2024.
O então indicado à presidência do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, também estava presente. A reunião não constava na agenda oficial da Presidência da República.
O BC decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master em novembro de 2025, no contexto das investigações sobre suspeitas de fraudes financeiras.
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