O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira, 14, que tenta conversar com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre as tarifas impostas a produtos brasileiros.
“Quero ter uma conversa tête-à-tête com ele", disse o petista. "E vou dizer: ‘Não se meta nos negócios do Brasil e, sobretudo, nas eleições. E, se se meter, vão perder.’"
Segundo Lula, o Brasil está disposto a discutir questões comerciais, mas não aceitará interferência estrangeira em assuntos internos. "Quero conversar porque o Brasil quer ter uma boa relação com os Estados Unidos", disse o presidente em entrevista ao podcast Não Inviabilize.
Brasil aciona Lei da Reciprocidade
A fala do presidente ocorre um dia depois de o governo brasileiro iniciar formalmente o processo previsto na Lei da Reciprocidade Econômica. A medida responde às tarifas impostas pelo governo Trump sobre produtos brasileiros.
O Itamaraty comunicou aos EUA o início do processo e solicitou consultas diplomáticas. O objetivo inicial é negociar uma solução para as barreiras comerciais.
O procedimento pode resultar em medidas de retaliação comercial contra produtos e serviços norte-americanos. O governo, contudo, afirma que pretende priorizar as negociações antes de adotar eventuais contramedidas.
Lula critica suposta interferência
Lula também voltou a criticar declarações de Trump sobre a política brasileira. O petista afirmou que o Brasil tem autonomia para decidir seus próprios assuntos.
A tensão entre os dois governos aumentou durante a disputa comercial e ganhou um componente político. Integrantes do governo Trump demonstraram apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência.
Disputa comercial
As tarifas norte-americanas atingem cerca de 18% das exportações brasileiras para os Estados Unidos. Algumas mercadorias enfrentam tarifas que chegam a 37,5%, considerando as sobretaxas aplicadas pelo governo Trump. O impacto estimado alcança US$ 7,4 bilhões, equivalente a aproximadamente R$ 24,63 bilhões, em produtos brasileiros.
O governo brasileiro considera as medidas norte-americanas injustificadas e arbitrárias. A Lei da Reciprocidade permite ao Brasil adotar medidas proporcionais contra os Estados Unidos, mas o Executivo afirma que pretende conduzir o processo com cautela.
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