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Jornalista maranhense afirma que identificação de fonte em investigação do STF prejudica seu trabalho

Jornalista maranhense afirma que identificação de fonte em investigação do STF prejudica seu trabalho

Brasil Estado | 19/08/2026 às 21:15 | há 1 mês | 5 min de leitura

O jornalista maranhense Luís Pablo Conceição Almeida afirmou que a identificação de uma de suas fontes durante uma investigação conduzida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), prejudicou seu trabalho e provocou receio entre outras fontes.

“Estão tentando me destruir profissionalmente”, disse Luís Pablo em entrevista ao Oeste Sem Filtro desta quarta-feira, 19. “Qual pessoa que daqui pra frente vai me passar informação? Quem vai se sentir seguro em me passar algum material?”

Luís Pablo foi alvo de busca e apreensão em março. Na ocasião, foram recolhidos equipamentos usados pelo jornalista, incluindo celulares, computador e HD. A investigação tem origem em reportagens publicadas por ele sobre o uso de um veículo do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA) pela família do ministro Flávio Dino.

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A partir do material obtido, a investigação identificou Raimundo Cutrim, ex-secretário de Segurança Pública do Maranhão, como fonte do jornalista. Na semana passada, Moraes determinou buscas contra Cutrim e o advogado Diogo Diniz Lima.

Luís Pablo disse ter percebido, depois da identificação da fonte, receio entre pessoas com quem mantinha contato em fornecer novas informações. “Toda fonte de informação, quando procura um jornalista, a primeira pergunta que ela faz, antes de mandar a denúncia, é saber se vai ter segurança de que aquilo não vai vazar”, afirmou.

Ele relatou ainda uma conversa com um jornalista de Brasília, que teria percebido efeito semelhante entre suas próprias fontes. “Pablo, o que aconteceu contigo está prejudicando até a gente aqui”, disse, ao reproduzir a fala do colega. “Os políticos em Brasília estão com receio de passar informação para a gente.”

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Luís Pablo nega perseguição e pagamento por reportagens

A investigação também apura como Luís Pablo obteve as informações sobre Dino. Segundo o jornalista, a primeira decisão de Moraes o apontava como responsável por seguir, monitorar e perseguir o ministro. Pablo nega ter acompanhado a rotina de Dino e afirma ter recebido o material de uma fonte em 1º de novembro.

Ele também negou relação entre uma transferência de R$ 100 mil e a publicação das reportagens. Luís Pablo afirma ter recebido o valor como empréstimo em setembro e devolvido a quantia em fevereiro. Segundo ele, há comprovantes tanto da operação quanto da devolução.

O jornalista usou a cronologia para sustentar que a transferência não estava relacionada às matérias. “Somente 1º de novembro é que eu recebi o conteúdo, como é que você vai ser pago por algo que você não tem conhecimento?”, perguntou.

Os ministros do STF Flávio Dino e Alexandre de Moraes | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Segundo Luís Pablo, as conversas analisadas na investigação também mostram pedidos de orientação jurídica ao advogado, mas não uma negociação para publicar as reportagens. “Em nenhum momento a gente fala que as reportagens são direcionadas a dinheiro”, afirmou. “Muito pelo contrário, lá está claramente mostrando que peço orientação jurídica.”

Luís Pablo disse que, depois de receber o material sobre Dino, procurou o gabinete do ministro e a presidência do TJ-MA para pedir esclarecimentos antes da publicação. Segundo ele, nenhum dos dois respondeu.

Durante a entrevista, o jornalista também negou ter divulgado um vídeo de Dino em uma praia que circulou nas redes sociais. Segundo Luís Pablo, as imagens eram de 2023 e mostravam o ministro em um veículo particular. “A divulgação que eu fiz foi exatamente do carro do Tribunal de Justiça”, esclareceu.

Reportagem questionou cessão de veículo

O caso teve origem na apuração sobre o uso de um veículo do TJ-MA por Dino. Luís Pablo sustenta que, na época da publicação, havia apenas um documento solicitando apoio de segurança para o ministro, sem pedido específico de cessão do automóvel.

Segundo ele, um novo documento referente ao carro foi encaminhado depois de seus pedidos de esclarecimento e da publicação da matéria. Luís Pablo afirma que tenta obter a documentação por meio da Lei de Acesso à Informação para verificar quando e em quais condições o veículo foi disponibilizado.

O jornalista também afirmou que Dino dispõe de outro veículo oficial no Maranhão por ter sido governador do Estado. Durante a entrevista, questionou a necessidade das duas estruturas e a possibilidade de utilização do carro do TJ-MA por familiares do ministro.

Luís Pablo afirmou ainda que sua defesa prepara uma manifestação para contestar a tramitação do caso no Supremo. Entre os argumentos mencionados está a ausência de foro por prerrogativa de função. O caso chegou inicialmente ao ministro Cristiano Zanin e, posteriormente, passou à relatoria de Moraes por conexão com o Inquérito das Fake News.

O jornalista disse esperar que o processo seja analisado pelo plenário do STF. Ao encerrar a entrevista, afirmou que sua atuação se limitou à avaliação jornalística do material recebido. “Se minha fonte de informação buscou outros meios para ir atrás desse material, o único interesse que tenho como jornalista era saber se era de interesse público”, disse. “Como foi de interesse público, publiquei.”

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