O jornal norte-americano The Wall Street Journal vê sinais de uma guinada à direita no Brasil e aponta vantagem de Flávio Bolsonaro no segundo turno contra Luiz Inácio Lula da Silva. Em editorial publicado nesta segunda-feira, 5, o veículo avalia que o desempenho do candidato e o avanço do PL no Congresso acompanham uma tendência na América Latina.
Segundo o texto, Flávio contrariou as pesquisas ao terminar o primeiro turno com 47% dos votos, ante 45% de Lula. Os dois disputarão a Presidência no segundo turno, em 25 de outubro. “Se os resultados nas demais disputas servirem de parâmetro, as chances de Bolsonaro são superiores a 50%”, afirma.
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Intitulado “O Brasil começa a se mover à direita”, o editorial considera o movimento regional positivo. “Uma história animadora, embora pouco celebrada, dos últimos três anos é a guinada à direita dos eleitores na América Latina”, escreve.
Avanço da direita no Congresso
O WSJ sustenta sua análise com o desempenho do PL nas eleições legislativas. Segundo os números apresentados, o partido conquistou 13 cadeiras no Senado e chegará a 28 das 81 vagas. Para o jornal, alianças com legendas menores de direita darão ao grupo uma maioria para aprovar suas pautas.
Na Câmara, o PL passou de 98 para 121 deputados, entre 513 cadeiras. O editorial também cita a vitória do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), sobre Fernando Haddad (PT), por 62,7% a 36,4%.
Na avaliação do veículo, a estratégia eleitoral de Lula, baseada na expansão dos gastos públicos com déficit, pode ter cobrado um preço nas urnas. O texto menciona a previsão de inflação de 5% no encerramento do ano e crescimento econômico de 2% ou menos como obstáculos à reeleição.
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“A onda de crime organizado que varre o país também levou eleitores para a direita”, afirma. O WSJ cita a promessa de Flávio de classificar os cartéis criminosos como organizações terroristas e enfrentá-los.
Críticas ao Judiciário
O jornal retoma a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que anulou, em 2021, a condenação de Lula por corrupção de 2017. O editorial classifica a medida como controversa e lembra que ela permitiu a candidatura do petista em 2022.
Segundo o WSJ, denúncias recentes de ligações de integrantes da Corte com a quebra de um grande banco reacenderam dúvidas entre brasileiros da direita e da esquerda moderada sobre “a independência e a integridade da Justiça brasileira sob Lula”.
O editorial conclui que “o socialismo fracassou na América Latina” e interpreta resultados eleitorais como rejeição a esse modelo. Cita Argentina, Chile, Peru, Bolívia e Colômbia como países que deram guinadas à direita desde outubro de 2023. “Não seria nenhuma surpresa descobrir que os brasileiros querem se juntar a essa caminhada”, afirma.
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