quinta-feira, 15 de outubro de 2026 Transmissão 24h
INÍCIO
Investigação aponta que grupo ligado a Vorcaro avaliou como negativa a saída de Toffoli do caso do Banco Master

Investigação aponta que grupo ligado a Vorcaro avaliou como negativa a saída de Toffoli do caso do Banco Master

Brasil Estado | 14/09/2026 às 09:45 | há 1 mês | 4 min de leitura

A investigação da Polícia Federal sobre “A Turma”, grupo suspeito de atuar a serviço de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, mostra que integrantes da organização viram como uma piora a saída do ministro Dias Toffoli da relatoria do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo a PF, o grupo era pago por Vorcaro para intimidar pessoas, comprar servidores públicos e obter informações sigilosas por meio da invasão de sistemas oficiais.

Entre os integrantes apontados pelos investigadores estava Felipe Mourão, conhecido como Sicário, que se matou depois de ser preso pela Polícia Federal.

Outro nome identificado pela investigação é Bruno Correa Lopes, apontado como responsável pela compra de imóveis e pela intermediação de negócios da família Vorcaro.

Em uma conversa de WhatsApp interceptada pela PF em 27 de fevereiro, Bruno fala com Manoel Mendes Rodrigues, o Manolo, também investigado na Operação Compliance Zero.

Manolo enviou a Bruno uma reportagem sobre supostos desvios envolvendo Daniel Vorcaro e seu pai, Henrique Vorcaro. Os dois passaram então a discutir a deterioração dos negócios da família diante do avanço das investigações.

“Cobra aí, por favor, porque o que acontece... senão enfraquece, eu não posso cobrar dele, né? Depois que pega tudo, a gente não consegue ficar cobrando. Quero resolver isso hoje”, disse Bruno.

Na sequência, ele afirmou que integrantes da família estariam vendendo patrimônio rapidamente. “Venderam uma casa aqui por 20 milhões, uma casa de 40 [milhões], vão vender por 20 [milhões]. Vão fazendo dinheiro para todo lado, antes que tomem, entendeu? Eles sabem que eles vão perder tudo, então estão vendendo por qualquer preço.”

Bruno também cobrou Manolo pelo envio de documentos e alertou que “o tempo está correndo”. Depois, enviou uma reportagem sobre o avanço da CPMI do INSS e comentou a mudança na relatoria do caso Master no STF.

“Está piorando muito rápido agora que saiu do Toffoli”, escreveu.

Toffoli saiu da relatoria do Master em fevereiro

Toffoli deixou a relatoria do caso em 12 de fevereiro. Daniel Vorcaro foi preso novamente em 4 de março, em uma nova fase da Operação Compliance Zero. Naquele período, a CPMI do INSS também avançava sobre negócios relacionados ao Banco Master.

As mensagens fazem parte do material enviado pela PF ao STF. A Corte retirou na sexta-feira, 11, o sigilo de diversas peças relacionadas às investigações sobre o banco.

Toffoli deixou o caso depois da revelação de vínculos de familiares seus com o resort Tayayá, empreendimento que também tinha relações com Vorcaro. A Maridt, empresa de José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli, irmãos do ministro, tinha participação no negócio.

Grupo de Vorcaro tinha até férias de fim de ano

Daniel Bueno Vorcaro, proprietário do Banco Master | Foto: Montagem Revista Oeste/Reprodução

As mensagens analisadas pela Polícia Federal também mostram que integrantes de “A Turma” tinham até período de férias no fim do ano.

Segundo os investigadores, o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva, apontado como líder do grupo, chegou a cobrar uma definição sobre demandas porque os integrantes entrariam de férias e os serviços poderiam ficar para a última hora.

A conversa ocorreu em 13 de dezembro de 2023. De acordo com o relatório da PF, Sicário encaminhou a Vorcaro um áudio em que Marilson pediu que ele conversasse com o “parceiro”, em referência ao banqueiro, para saber qual decisão havia sido tomada.

+ Saiba mais sobre Política em Oeste

Marilson queria uma resposta porque, segundo a mensagem, “devido ser fim de ano ‘A Turma’ sairia de férias e ficaria tudo para cima da hora”.

A PF afirma que “A Turma” era formada por seis integrantes e recebia cerca de R$ 400 mil por mês. O dinheiro teria saído de empresas ligadas ao grupo empresarial de Vorcaro e chegado aos integrantes por meio de uma empresa de Felipe Mourão, o Sicário.

O post Grupo de Vorcaro lamentou saída de Toffoli do caso Master apareceu primeiro em Revista Oeste.

Compartilhar: WhatsApp Twitter

Leia também