Em meio ao processo de fuga de capital, com a saída crescente de recursos do investidor estrangeiro no mercado brasileiro, o Ibovespa, principal indicador do desempenho das ações negociadas na Bolsa de Valores do Brasil (B3), fechou a semana no vermelho e aprofundou a maior sequência negativa desde 2023.
No pregão desta sexta-feira, 14, o índice encerrou a sessão em queda de 0,1%, aos 166,9 mil pontos. Na mínima do dia, o indicador recuou para 164.835,38 pontos. No acumulado da semana, o Ibovespa tombou 3,23%.
Com o resultado, o Ibovespa cravou o 9° pregão consecutivo de perdas. Esta é a maior sequência negativa da bolsa brasileira desde as 13 quedas seguidas entre os dias 1º a 17 de agosto de 2023. Na atual série negativa, o índice acumulou baixa de 6,22%.
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Ainda na sessão desta sexta-feira, o dólar terminou o dia negociado a R$ 5,219, uma alta de 0,52% frente ao real. Na cotação máxima da sessão, a moeda norte-americana foi vendida a R$ 5,249. A mínima foi de R$ 5,173.
Com o resultado, a moeda dos Estados Unidos acumulou valorização de 1,88% na semana e de 2,16% em agosto frente ao real. No acumulado do ano, há uma queda de 5,64%.
Análise
Segundo Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, o principal fator que leva à “retração contínua” da Bolsa do Brasil é “a expressiva saída de capital estrangeiro, com grandes fundos globais reduzindo a exposição no país para se protegerem da volatilidade do período eleitoral e das incertezas no campo fiscal”.
“Além do cenário político e do risco fiscal, a bolsa local sofre com a repercussão da temporada de balanços do segundo trimestre, que trouxe leituras cautelosas e pressionou as ações de empresas com grande peso no índice, como o Banco do Brasil e a Sabesp”, explica Nossig.
“Essa combinação de resultados corporativos amargos e fuga de recursos internacionais é agravada pela manutenção da Selic em patamares elevados, que garante retornos atrativos na renda fixa, drena o capital doméstico da renda variável e encarece o financiamento das empresas listadas, bloqueando qualquer tentativa de reação da bolsa ao longo do dia”, afirma a analista.
O cenário externo também pesa, diz Nossig, com o mercado global lidando com a incerteza causada pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio. “O bloqueio nas negociações de paz e os recentes ataques no Estreito de Ormuz, acompanhados pela ameaça de retaliações econômicas e bloqueios navais por parte dos EUA contra o Irã, fizeram os preços do barril de petróleo dispararem”, observa.
“Esse repique nos custos de energia reacende o temor de que a inflação global demore mais a cair, o que mantém os juros dos títulos americanos elevados e drena agressivamente o capital estrangeiro que poderia vir para mercados emergentes como o Brasil”, completa Nossig.
Investidores seguem saindo da B3
A Bolsa de Valores do Brasil continua registrando forte saída de investidores nos últimos dias. Na sessão da última quarta-feira, 12, houve uma retirada de R$ 1,63 bilhão em capital externo, o que elevou o total de saídas do mês para R$ 13,5 bilhões.
No acumulado do ano até aqui, o fluxo de capital externo ainda está positivo em R$ 22,8 bilhões.
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