A Justiça das Ilhas Cayman nomeou a Grant Thornton como liquidante da Titan Capital Holding, empresa usada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro para concentrar investimentos pessoais. Em reunião com credores nesta quarta-feira, 9, a auditoria informou que a holding acumula dívidas de US$ 1 bilhão.
Apesar da sede formal em Georgetown, a Titan não mantinha ativos, funcionários ou sinais de operação nas Ilhas Cayman. O escritório funcionava no Brasil, em dois andares de 4 mil metros quadrados no chamado “prédio da baleia”, na Faria Lima, em São Paulo.
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A Tether pediu a liquidação da empresa em abril para cobrar uma dívida de US$ 300 milhões, referente a um empréstimo concedido em março de 2025. A Justiça acolheu o pedido e encarregou a Grant Thornton de localizar e vender bens para pagar os credores.
Ativos de Vorcaro concentrados no Brasil
Relatório da auditoria, de 26 de agosto, afirma que a Titan funcionava basicamente como uma caixa postal nas Ilhas Cayman. Os registros da empresa estariam principalmente no Brasil e sob a guarda de terceiros.
“Com base nas informações atualmente disponíveis, a Companhia aparentemente não detinha ativos relevantes nas Ilhas Cayman", afirma o relatório. "Ao contrário, os interesses da Companhia parecem ter consistido em participações em subsidiárias brasileiras, veículos de investimento e outros investimentos associados ao grupo mais amplo.”
Os ex-diretores Luiz Antônio Bull e Angelo Silva, que também atuavam no Master, são investigados pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero. Segundo a auditoria, ambos se recusaram a fornecer documentos e informações sobre dinheiro e bens.
Coaf identificou transferências de R$ 700 mi
No Brasil, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e a Polícia Federal identificaram o uso da Titan em movimentações relacionadas ao esvaziamento patrimonial e à lavagem de dinheiro do Master. O Coaf mapeou transferências de R$ 700 milhões do banco para a holding entre janeiro e julho de 2025.
A Titan também participou das negociações entre o Master e a Fictor. A holding fechou um negócio de R$ 566 milhões envolvendo direitos creditórios de usinas de açúcar e álcool.
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A Fictor entrou em recuperação judicial em janeiro de 2026 e ficou devendo R$ 430 milhões à Titan. Com isso, a holding passou a figurar entre as maiores credoras do processo.
As informação são do jornal O Estado de S.Paulo. Até o momento, as defesas dos citados na reportagem não se manifestaram.
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