O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretende usar o Banco do Brasil para tentar evitar a “ruína” dos Correios, estatal que vive uma das piores crises de sua história. A avaliação é do jornal O Estado de S. Paulo, em editorial publicado na edição desta segunda-feira, 13.
No artigo, o Estadão trata do acordo firmado entre o banco e os Correios, no valor de R$ 2,3 bilhões, para serviços postais nacionais e internacionais pelos próximos cinco anos.
“Caberá a outros órgãos e empresas sob seu controle esticar artificialmente a vida da estatal zumbi. Só isso explica o fato de o Banco do Brasil (BB) ter firmado um novo acordo com a empresa para prestação de serviços postais em todo o país”, diz o editorial do jornal.
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No texto, o Estadão observa que a contratação “se deu de maneira direta, ou seja, sem a realização de um procedimento de licitação”.
“É quase inacreditável que um dos maiores bancos do país em ativos, carteira de crédito, número de clientes e valor de mercado trabalhe dessa forma, mas é exatamente assim que opera o lulopetismo quando se trata de empresas estatais”, prossegue o jornal.
“No caso do BB, uma sociedade de economia mista com capital aberto, quase metade dos papéis da instituição financeira pertence a acionistas privados, mas é em momentos como esse que o governo abusa de sua posição de controlador para impor suas vontades de maneira velada.”
Em seu editorial, o Estadão destaca que, no ano passado, os Correios tomaram um empréstimo de R$ 12 bilhões junto a um consórcio de cinco bancos, entre os quais o próprio Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal. “As instituições financeiras só aceitaram emprestar porque o Tesouro Nacional – ou seja, o contribuinte – se comprometeu a honrá-lo em caso de calote”, afirma o jornal.
O Estadão diz ainda, na ocasião, o TCU “encontrou falhas na análise da operação e do plano de reestruturação da empresa e abriu um processo para apuração de responsabilidades – situação que pode atrapalhar a contratação do segundo empréstimo que a empresa pleiteia, entre R$ 7 bilhões e R$ 8 bilhões”.
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'Ninguém solta a mão de ninguém'
No editorial, o jornal lembra que os Correios vêm registrando prejuízos há 14 trimestres consecutivos e fecharam 2025 com um rombo de R$ 8,5 bilhões. A projeção para 2026 é de um resultado negativo de R$ 10 bilhões.
“Diante de números tão ruins, não é à toa que os bancos estejam reticentes em conceder um novo empréstimo. O governo, no entanto, assegura que a empresa está conseguindo recuperar contratos e logo voltará a registrar bons resultados. Aos poucos, começa a ficar claro que contratos são esses – e com quem eles têm sido fechados”, afirma o Estadão.
Segundo o jornal, “agora chegou a vez de o Banco do Brasil contribuir com os Correios e, a julgar pela tradição dos governos petistas, outras empresas e órgãos públicos serão ‘convidados’ a participar dessa operação conjunta de socorro, no melhor estilo “ninguém solta a mão de ninguém”.
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O post Estadão: Lula usa Banco do Brasil para salvar Correios, estatal ‘zumbi’ apareceu primeiro em Revista Oeste.