Pelo segundo dia consecutivo, Manaus e municípios da região metropolitana da capital do Amazonas amanheceram cobertos por uma densa fumaça, o que piorou ainda mais a qualidade do ar. Dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (SELVA), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), indicaram que, por volta das 7h30 de 5ª feira (24/9), o bairro Distrito Industrial I registrou o pior índice de poluição na cidade, com concentração de material particulado de 148 microgramas por metro cúbico (µg/m³).
No entorno de Manaus, os níveis de poluição também se mantiveram acima do normal. Segundo o g1, quatro dos 13 municípios monitorados pelo SELVA apresentaram qualidade do ar classificada como péssima. O pior índice foi registrado em Manaquiri, onde o sensor registrou 385 µg/m³, mais do que o dobro da referência máxima da escala. Em Careiro, a concentração atingiu 301 µg/m³.
A poluição forçou a suspensão das aulas na rede pública de ensino de Manacapuru, com aumento da procura por atendimento médico, informa A Crítica. A Universidade Federal do Amazonas (UFAM) também suspendeu as atividades acadêmicas e administrativas devido à fumaça. Segundo o BNC Amazonas, a reitoria da instituição se reunirá com especialistas para orientar as providências nos próximos dias.
O Conselho Regional de Medicina do Amazonas (CREMAM) publicou um alerta sobre o agravamento da qualidade do ar em Manaus e na região metropolitana, aconselhando a população a evitar se expor à fumaça para prevenir possíveis problemas respiratórios e oculares, relata A Crítica. Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas são os grupos que exigem maior atenção durante a crise.
A péssima qualidade do ar em Manaus colocou a cidade no topo do ranking global de poluição nesta semana. Segundo o Amazônia Real, Manaus ultrapassou Kinshasa, capital da República Democrática do Congo, como a cidade com a pior qualidade do ar do mundo de acordo com os registros diários da plataforma IQAir. Na 4ª feira (23/9), Manaus chegou a registrar a concentração de material particulado na atmosfera de 324 µg/m³, bem acima dos 1736 µg/m³ da cidade africana e 20% acima do limite recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Decorrente de incêndios florestais no entorno de Manaus e em outras áreas da Amazônia, a fumaça também vem sendo agravada pelo clima quente e seco dos últimos dias na região. O governador do Amazonas, Roberto Cidade, determinou o reforço das ações de fiscalização, prevenção e combate ao fogo em todo o estado. Dados do Corpo de Bombeiros amazonense, citados pelo AM Post, indicam que a corporação atuou no combate a quase 14,9 mil focos de incêndio urbanos e florestais entre 1º de julho e 22 de setembro.
No entanto, o defensor público Carlos Almeida Filho, titular da Defensoria Pública Especializada em Atendimento de Interesses Coletivos, indicou ao BNC Amazonas que pretende pedir intervenção federal no estado por conta do descontrole das chamas. Ele também afirmou que pretende pedir à Justiça Federal a instalação de uma mesa de situação, reunindo órgãos públicos, para enfrentar o problema.
Este conteúdo é originalmente de climainfo.org. Para a reportagem completa, acesse:
https://climainfo.org.br/2026/09/25/fumaca-volta-a-encobrir-manaus-e-qualidade-do-ar-continua-pessima/
Fonte: climainfo.org · Por Ian Mello