O candidato à Presidência pelo PL, senador Flávio Bolsonaro (RJ), afirmou que manterá o reajuste de 15,04% do Bolsa Família anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva caso vença as eleições.
Apesar de acusar o petista de usar a medida para tentar conquistar votos a poucos dias do primeiro turno, Flávio disse que vai preservar os novos valores e prometeu ampliar as ações voltadas aos beneficiários do programa.
“Lula, é essa cartada que você tem?”, contestou. “Dar 15% de reajuste no Bolsa Família. Só isso? Essa merreca. Você não tem vergonha na cara não, Lula? Está achando que vai comprar o voto do pobre, dando mais 90 reais por mês para o pobre. Você acha que 90 reais vai dar uma vida melhor pro pobre? Ele vai poder voltar a sonhar? Deixa de ser cara de pau, Lula.”
A declaração foi feita durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais. Ao comentar o anúncio do governo, Flávio relacionou a decisão de Lula ao cenário das pesquisas eleitorais. O parlamentar afirmou que o petista estaria dando “migalha” e “miséria” para “quem tá passando necessidade, que é o pessoal que recebe Bolsa Família”.
Flávio também lembrou a elevação do valor do Auxílio Brasil promovida pelo governo de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em 2022. Naquele ano, também durante a campanha presidencial, o piso do benefício passou de R$ 400 para R$ 600.
“Comigo tá garantido o Bolsa Família”, afirmou. “Vou manter esse reajuste, só que vou fazer muito mais do que isso. Vocês vão lembrar, os R$ 600 quem deu, foi quem? Foi o presidente Bolsonaro.”
Reajuste às vésperas das eleições
Lula assinou nesta quinta-feira, 17, o decreto que reajusta os benefícios do Bolsa Família em 15,04%, percentual correspondente à variação acumulada do INPC entre março de 2023 e agosto de 2026.
O piso pago por família sobe de R$ 600 para R$ 691. O governo sustenta que a medida apenas recompõe a inflação acumulada desde a instituição do atual modelo do programa, sem aumento real.
O anúncio provocou reação da oposição por ocorrer a poucos dias do primeiro turno. O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), acusou o governo Lula de anunciar a medida com finalidade eleitoral.
“Faltam menos de duas semanas para a eleição e o desespero já começou”, analisou. “O Bolsa Família é importante. Mas dinheiro público não pode ser usado como instrumento eleitoral, atropelando o Congresso e a legislação.”
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A Advocacia-Geral da União (AGU), por sua vez, sustentou que a medida não viola a legislação eleitoral. Segundo o órgão, o programa é permanente, previsto em lei e já estava em execução orçamentária.
Como o decreto não cria um novo benefício nem amplia o público atendido, a AGU afirma que a correção pelo INPC está “fora do alcance de qualquer vedação eleitoral”.
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