O setor frigorífico brasileiro deve exportar cerca de 900 mil toneladas de carne bovina para a China em 2026. O volume é alto, mas representa uma redução de 748 mil toneladas em relação ao recorde de 2025. A estimativa é do presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa.
A projeção da Abiec equivale a quase metade das 1,68 milhão de toneladas de carne bovina in natura embarcadas para a China em 2025. A retração pode reduzir em até US$ 4,5 bilhões o faturamento dos frigoríficos brasileiros.
“Todos sabem o nosso nível de exposição ao mercado chinês", disse Perosa em coletiva de imprensa na semana passada. “É um decréscimo grande [para 900 mil toneladas]. Vai ter um impacto na nossa contabilidade, um reflexo na balança comercial e no volume das exportações brasileiras. As vendas para alguns mercados devem crescer, mas não o suficiente para vencer todo esse volume tirado da China.”
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A queda ocorre depois de a China adotar uma medida de salvaguarda para proteger a produção local de carne bovina. A cota reduziu o ritmo dos frigoríficos, pressionou a arroba do boi gordo e aumentou a preocupação de exportadores e pecuaristas. A regra entrou em vigor em 1º de janeiro de 2026, em meio ao aumento de barreiras comerciais em diferentes mercados.
Até o limite da cota, incide a tarifa regular de 12%. Acima de 1,106 milhão de toneladas, porém, passa a valer uma sobretaxa de 55%, elevando a tributação total para 67%. O teto ficou abaixo do fluxo registrado em 2025, quando o Brasil exportou cerca de 1,68 milhão de toneladas.
Indústria de carne bovina brasileira já sente impacto
Nesse cenário, empresas do setor já reduziram custos e diminuíram a produção temporariamente. As indústrias suspenderam, em julho, a produção de cortes destinados à China por considerarem a cota esgotada.
Segundo a Abiec, empresas responsáveis por 98% das exportações brasileiras adotaram medidas como férias coletivas, demissões, redução da jornada e diminuição dos abates.
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As exportações para a China aceleraram no primeiro semestre para evitar a sobretaxa. O setor projeta encerrar 2026 com queda de 10% nos embarques totais em relação às 3,5 milhões de toneladas exportadas em 2025. “Estamos trabalhando para manter o número, que já é um decréscimo, mas as dificuldades estão colocadas”, disse Perosa.
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