A cidade de Araxá (MG) encerrou, no último domingo, 28, a maior edição da ExpoQueijo Brasil – Araxá International Cheese Awards desde a criação do evento. Durante quatro dias, a feira reuniu representantes de 19 países, cerca de mil queijos inscritos no Concurso Internacional, mais de 200 jurados nacionais e estrangeiros, 86 estandes comerciais e uma estrutura de 4,8 mil metros quadrados cobertos.
O evento consolidou Minas Gerais como um dos principais polos mundiais da produção artesanal de queijos. A programação reuniu produtores, pesquisadores, chefs, compradores e visitantes do Brasil e do exterior, além de incluir fórum internacional, oficinas técnicas, cozinha-show, podcasts, feira de negócios, praça gastronômica e apresentações culturais.
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Segundo a organização, o evento também impulsionou a economia de Araxá, com elevada ocupação da rede hoteleira e aumento do movimento em restaurantes, comércio, transporte, turismo e serviços.
O principal momento da ExpoQueijo foi a divulgação dos vencedores do Concurso Internacional de Queijos Artesanais. Pelo segundo ano consecutivo, o Brasil conquistou o Super Ouro, maior reconhecimento da competição.
O prêmio ficou com o Queijo Maranata Ouro, da Rancho Maranata, produzido por Henrique Lamim, no município de Virgínia, no Sul de Minas. O produto venceu na categoria de leite cru, casca lisa e/ou lavada, com mais de 180 dias de maturação, superando concorrentes de tradicionais países produtores.
Lamim afirmou que o resultado é fruto de um trabalho de aperfeiçoamento desenvolvido ao longo de vários anos. "É o sexto ano que a gente participa. É um concurso muito disputado e com muita credibilidade. A gente conquistou bronze em 2023, prata em 2024, em 2025 ficamos em quarto lugar e viemos trabalhando para melhorar a qualidade. Este ano fomos agraciados com o Super Ouro", declarou.
O produtor destacou ainda a relevância da conquista diante de fabricantes tradicionais da Europa. "Concorremos com os reis do parmesão, os italianos, o Parmigiano Reggiano, o Grana Padano, e, com a graça de Deus, meu queijo, com nove meses de maturação, conquistou o Ouro e o Super Ouro", disse.
Segundo Lamim, o principal ganho proporcionado pela competição está na avaliação técnica feita pelos jurados. "Os bastidores mais importantes do concurso são receber um feedback", comentou. "Eu corrigi muito o meu queijo nesses últimos seis anos por meio dos retornos dos jurados. Hoje eu tenho orgulho de dizer que sou produtor rural, vivo da produção rural e consigo gerar renda fazendo aquilo que amo."
Com o resultado deste ano, o Brasil chegou ao segundo Super Ouro consecutivo. Desde a criação da ExpoQueijo, apenas três países alcançaram o prêmio máximo: a Itália venceu em 2021 e 2022, a Argentina conquistou o título em 2023 e 2024, enquanto o Brasil passou a integrar a lista de campeões em 2025 e repetiu o feito em 2026.
Além da competição, a feira promoveu debates sobre exportação, legislação, sustentabilidade, pesquisa, inovação e cooperativismo durante o Fórum Internacional. As oficinas técnicas abordaram temas ligados à fabricação, maturação e valorização do Queijo Minas Artesanal, enquanto a feira de negócios aproximou produtores, cooperativas, empresas e instituições em busca de novas oportunidades comerciais.
A programação cultural também integrou a agenda da ExpoQueijo, com apresentações gratuitas ao longo dos quatro dias. Entre as atrações estiveram o Baile do Vinny, Leo Jaime com a banda Amigos do Rock e, no encerramento, a Orquestra de Viola Luar do Sertão, Big Band, Texas Radio, Natália Martins e Pagode do Xú.
Governo de Minas Gerais comenta dimensão da ExpoQueijo
O secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais, Thales Fernandes, afirmou que a ExpoQueijo se consolidou como um evento de alcance internacional.
"Nós temos um ambiente de concurso e de festa, mas também discussões sobre agroindústria de pequeno porte, regulamentos, pesquisas e um fórum que repercute em toda a cadeia do queijo artesanal", declarou. "Eu ouso dizer que este é um dos maiores eventos de queijo do mundo. Nesta semana, Araxá se tornou o centro do mundo na questão do queijo."
Para a organizadora da ExpoQueijo Brasil, Maricell Hussein, a edição de 2026 marcou um novo patamar para a feira. "Encerramos a maior ExpoQueijo da nossa história. Foram quatro dias em que Araxá recebeu o mundo, promoveu conhecimento, negócios, turismo, cultura e mostrou, mais uma vez, a força do queijo artesanal. O crescimento desta edição confirma que estamos no caminho certo e aumenta ainda mais nossa responsabilidade com o futuro do evento."
Ela informou que a preparação da próxima edição já está em andamento. "A ExpoQueijo 2027 já está sendo preparada. Vamos trazer novidades importantes, ampliar ainda mais a participação internacional, fortalecer os espaços de negócios, conhecimento e gastronomia e continuar fazendo de Araxá a principal vitrine do queijo artesanal nas Américas. Quem participou este ano pode ter certeza de que vem muita coisa nova pela frente", disse.
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