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Ex-chefe de supervisão do BC recebeu R$ 3,8 milhões por projeto social

Ex-chefe de supervisão do BC recebeu R$ 3,8 milhões por projeto social

Brasil Estado | 11/09/2026 às 19:30 | há 1 mês | 5 min de leitura

O ex-chefe de supervisão do Banco Central Belline Santana recebeu R$ 3,8 milhões entre outubro de 2023 e dezembro de 2025. O valor está relacionado à participação em um projeto de capacitação de jovens de regiões periféricas, financiado por empresas ligadas ao banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. A iniciativa foi chamada de “Jovens Potentes”.

As informações fazem parte das investigações da Polícia Federal (PF) e aparecem no depoimento prestado por Leonardo Augusto Furtado Palhares. Este último era responsável pela consultoria jurídica envolvida no projeto.

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À PF, Palhares afirmou que começou a trabalhar com Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, e com o próprio Vorcaro entre o fim de 2023 e o início de 2024. Foi nesse contexto que surgiu a proposta de criar um projeto voltado à capacitação e à inserção de jovens de regiões periféricas no mercado de trabalho.

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Palhares declarou que foi apresentado a Belline por Zettel. Segundo o depoimento, as discussões sobre o projeto envolveram os três, além de Vorcaro. O advogado afirmou ainda que não participou da definição dos valores e que Zettel se comprometeu a financiar a iniciativa.

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Pagamentos ligados a Vorcaro passaram por consultoria antes de chegar a Belline

A primeira fase do projeto, segundo Palhares, custou R$ 2 milhões, divididos em quatro parcelas de R$ 500 mil. Inicialmente, os recursos vieram da Moriah Asset, empresa de investimentos fundada e comandada por Zettel. Posteriormente, os pagamentos passaram a ser feitos pela Super Empreendimentos e Participações, empresa da qual Zettel também foi diretor.

A Varajo Consultoria, de Palhares, recebia os recursos e realizava os pagamentos a Belline. Palhares informou que os valores eram pagos diretamente de sua empresa ao então servidor do Banco Central. Na segunda fase, os pagamentos teriam sido de R$ 100 mil mensais, somando aproximadamente R$ 700 mil ou R$ 800 mil, conforme sua estimativa.

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De acordo com a PF, entre outubro de 2023 e dezembro de 2025, Bellibe recebeu R$ 3,8 milhões. Os recursos passariam pela conta do escritório de Palhares e depois eram transferidos para a conta de pessoa física do então dirigente do BC por TEDs e Pix.

A corporação questionou o depoente sobre o motivo de o dinheiro passar pela Varajo, em vez de ser transferido diretamente pelas empresas financiadoras a Belline. Palhares respondeu que essa possibilidade não havia sido discutida. Segundo Belline, sua empresa figurava como contratante do projeto e, por isso, fazia os pagamentos. Afirmou ainda que havia contrato e emissão de notas e que Belline declarava os valores no Imposto de Renda.

Mensagens indicam preocupação em não vincular pagamentos ao Banco Master

Havia uma suposta preocupação de Zettel e Vorcaro para que os pagamentos a Belline não saíssem diretamente do Banco Master. Essas informações não constam no depoimento, mas foram divulgadas pela CNN.

Em uma conversa de dezembro de 2023, Zettel teria avisado Vorcaro sobre o pagamento a Belline. Vorcaro perguntou se o dinheiro estava saindo diretamente do Master e recebeu resposta negativa. Segundo a CNN, o banqueiro posteriormente reforçou que o pagamento não deveria envolver o banco nem mesmo indiretamente.

No depoimento de Palhares, porém, ele afirmou que nunca tratou diretamente com Vorcaro sobre a estrutura dos pagamentos e que não houve, por parte de sua consultoria, intenção de esconder o que estava sendo feito.

O pedido de Belline

Segundo Palhares, que presidiu a Câmara Brasileira da Economia Digital, Belline pediu que a entidade não participasse da segunda fase do projeto. A justificativa, de acordo com o depoimento, foi que a Câmara tinha entre seus associados uma instituição fiscalizada pelo Banco Central. Belline, portanto, não queria permanecer formalmente vinculado a um projeto de uma entidade que reunia entre seus membros uma instituição submetida à sua fiscalização. Palhares afirmou ter interpretado o pedido como uma demonstração de “lisura”.

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O depoente também relatou que, em fevereiro de 2025, Belline o procurou "muito angustiado" e disse estar sobrecarregado no Banco Central, com intensa agenda de viagens. O projeto foi suspenso naquele momento e posteriormente retomado.

PF questionou relação entre contrato e crise do Master

Palhares também foi questionado sobre o fato de um projeto financiado por pessoas ligadas a um banco em dificuldades envolver um servidor do próprio Banco Central.

O advogado afirmou que sabia pela imprensa que o Master enfrentava dificuldades para captar recursos. Também disse que começou a perceber uma crise de liquidez nas empresas do grupo, porque pagamentos que antes eram pontuais passaram a atrasar de um a dez dias.

Indagado se considerava estranho que Vorcaro, dono de um banco em crise, estivesse ligado a um contrato destinado a um servidor do BC que exercia função de fiscalização, Palhares respondeu que não considerou a situação estranha. Segundo ele, o projeto tinha finalidade específica e chegou a ser suspenso durante o período mais crítico da crise do Master.

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Em outro trecho, Palhares afirmou não ter tido acesso pessoal às comunicações entre Belline, Vorcaro e outro servidor citado no inquérito. Disse ainda que, se soubesse de qualquer suspeita sobre a atuação de Belline, não teria participado do projeto.

A defesa de Belline nega o pagamento ou a concessão de qualquer vantagem ilícita e afirma que ele não interferiu na fiscalização do Banco Master. Sustenta ainda que o servidor sempre atuou dentro dos limites de suas atribuições.

O post R$ 3,8 milhões: ex-chefe do BC recebeu quantia de Vorcaro por projeto social apareceu primeiro em Revista Oeste.

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