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Estudo aponta risco de mais de 450 mil mortes adicionais no mundo por calor do “Super El Niño” em seis meses

Estudo aponta risco de mais de 450 mil mortes adicionais no mundo por calor do “Super El Niño” em seis meses

Brasil Estado | 24/09/2026 às 00:30 | há 3 semanas | 3 min de leitura

O “Super El Niño”, que está ganhando força no Pacífico equatorial, deve causar a morte de quase meio milhão de pessoas no mundo nos próximos seis meses, apenas pelo aumento da temperatura. A estimativa é de um estudo publicado pelo Laboratório de Impacto Climático da Universidade de Chicago (EUA) na 4ª feira (23/9). O Brasil será um dos países mais afetados, segundo a análise, com pouco mais de 13,2 mil mortes adicionais relacionadas ao calor extremo até fevereiro de 2027.

O estudo indica um risco de 451 mil mortes associadas ao calor em todo o mundo, a maior parte concentrada no Sul Global. A África é o continente com o maior número de mortes potenciais, com mais de 130,2 mil óbitos projetados. A Nigéria ocupa a primeira posição entre os países que mais devem ser afetados, com 31,3 mil mortes, seguida por Indonésia (19,3 mil), Sudão (17,4 mil) e Índia (15,7 mil). O Brasil está no 5º lugar, seguido pela República Democrática do Congo (10 mil) e pelo Níger (9,9 mil).

Para efeito de comparação, as mortes projetadas em todo o mundo para os próximos seis meses, em decorrência do El Niño, equivalem à população da cidade de Santos, no litoral de São Paulo. Esse número não inclui mortes prováveis associadas a outros eventos extremos potencializados pelo fenômeno, como tempestades, secas e incêndios florestais.

“É um número tão elevado que pode nos deixar insensíveis, mas é composto por pais e filhos, avós e vizinhos, pessoas que trabalham, cuidam de suas famílias e vivem suas vidas”, afirmou Michael Greenstone, cofundador do laboratório e coautor do estudo.

As projeções foram realizadas com base em pesquisas que quantificaram a relação entre temperatura e excesso de mortalidade (mortes acima da média) em comparação à média observada entre 1996 e 2025. A análise considerou diferenças no clima local, na vulnerabilidade e na capacidade de adaptação dos países em mais de 24,3 milhões de regiões do globo.

Os autores do estudo ainda fazem um alerta: as temperaturas anormais dos próximos meses, sob o El Niño, podem se tornar o “novo normal” em 20 anos se o aquecimento global seguir descontrolado. Seria uma espécie de “cartão-postal do futuro”, permitindo um vislumbre do que nos espera se não avançarmos com a mitigação e a adaptação climáticas nas próximas décadas.

“Aumentar a capacidade de resposta a emergências e direcionar melhor nossos esforços podem salvar muitas vidas este ano. Mas daqui a 20 anos, quando as temperaturas extremas de hoje se tornarem a nova normalidade, não queremos estar em constante estado de emergência”, afirmou Tamma Carleton, chefe de pesquisa do laboratório e coautora da pesquisa.

O estudo teve grande repercussão na imprensa nacional e internacional, com matérias na CBN, DW, Folha, g1, SBT, UOL e VEJA, além de Al-Jazeera, AP, CNN, Guardian, New Scientist e Reuters.

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Este conteúdo é originalmente de climainfo.org. Para a reportagem completa, acesse:
https://climainfo.org.br/2026/09/23/calor-adicional-do-super-el-nino-pode-matar-quase-meio-milhao-de-pessoas-em-seis-meses/

Fonte: climainfo.org · Por Célia Mello

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