O Prêmio Nobel da Paz concedido à jurista sul-africana Navanethem “Navi” Pillay, anunciado nesta sexta-feira, 9, representa a “desmoralização” da honraria, segundo editorial de O Estado de S. Paulo publicado neste sábado, 10.
O jornal lembra que Pillay “presidiu a comissão da ONU que acusou Israel de cometer genocídio em Gaza”. “Os jurados podem alegar, como alegaram, que não julgaram a guerra. Mas concederam a mais cobiçada chancela moral do planeta a quem ajudou a transformar uma conclusão para lá de controversa em veredicto político”, anotou o jornal.
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O Estadão afirma que “a devastação de Gaza e o sofrimento dos palestinos são inegáveis”, mas observa que “a guerra travada após o massacre do Hamas tinha dificuldades que a palavra ‘genocídio’ não resolve”.
“Os terroristas construíram uma rede de túneis sob bairros populosos e instalaram posições militares em meio à infraestrutura civil, utilizando a população como escudo humano. Conquistar a superfície não bastava para desalojar combatentes entrincheirados no subsolo. Desarmar essa rede podia destruir edifícios inteiros. Nada disso absolve Israel por ataques indiscriminados ou por privações impostas à população. Mas torna temerário, para não dizer desonesto, deduzir da devastação, por si, um plano de extermínio”, afirma o Estadão.
No texto, o jornal diz ainda que “a comissão presidida por Pillay reconheceu que Israel pretendia derrotar o Hamas e libertar reféns, mas atribuiu às mortes, à destruição, ao cerco e a declarações de dirigentes – algumas execráveis – o significado de uma campanha para eliminar o povo palestino”.
“São elementos que exigem apuração séria, inclusive de possíveis crimes de guerra e contra a humanidade. O salto para a intenção ‘genocida’, contudo, não está demonstrado. Israel não cometeu genocídio em Gaza; a dimensão de uma tragédia não altera, por decreto, os elementos de um crime”, aponta o Estadão.
No editorial, o jornal afirma ainda que “Pillay encontrou terreno fértil no Conselho de Direitos Humanos da ONU”. “Israel ocupa sozinho um item permanente de sua agenda, tratamento que nenhum outro país recebe. Em 2022, o mesmo conselho recusou até abrir um debate sobre os abusos chineses em Xinjiang. Israel merece escrutínio, naturalmente. Já a China conseguiu barrar até a conversa. Uma bela demonstração da ‘universalidade’ dos direitos humanos”, critica a publicação.
O editorial do Estadão lembra, ainda, que o Nobel “tem experiência em apostas políticas”. “Já premiou ex-líderes terroristas, como Menachem Begin e Yasser Arafat, e até meras intenções: Barack Obama ganhou a medalha nos primeiros meses de mandato, para constrangimento do próprio premiado. Agora Oslo cobre de glória uma jurista cuja acusação mais explosiva depende de uma intenção que sua investigação nunca demonstrou”, conclui o jornal.
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