A retomada da fiscalização ambiental e do combate ao desmatamento no governo do presidente Lula resultou em mais uma queda nas emissões de gases de efeito estufa (GEE) do Brasil em 2025. Segundo o Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG), do Observatório do Clima, o volume de GEE emitido no ano passado foi 6% inferior ao registrado em 2024 — ano em que as emissões tiveram queda ainda mais substancial, de 13%.
As emissões brutas nacionais de GEE em 2025 foram de 2,06 bilhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (GtCO2e), ante 2,19 GtCO2e no ano anterior. Já as emissões líquidas — que descontam das emissões brutas o crescimento da vegetação secundária e a remoção de carbono por Áreas Protegidas — ficaram em 1,41 bilhão de GtCO2e — uma queda de 9% e o menor valor desde 2012.
A redução das emissões totais de GEE do Brasil no último ano está diretamente relacionada à queda do desmatamento. Segundo o SEEG, as emissões brutas relacionadas à mudança no uso da terra (incluindo desmatamento) caíram 15% em 2025 em relação ao ano anterior, passando de 957 MtCO2e para 841 MtCO2e. A queda nas emissões líquidas é ainda mais significativa, de 48% — de 311 MtCO2e para 162 MtCO2e.
Na comparação com o último ano do (des)governo de Jair Bolsonaro (2022), houve uma redução de 81% nas emissões líquidas por mudança de uso da terra em 2025, que desabaram de 860 MtCO2e para 162 MtCO2e. A expectativa é de que essa redução seja ainda maior em 2026, considerando os dados recentes do sistema PRODES, do INPE, que indicaram o menor índice de desmatamento da série histórica entre agosto de 2025 e julho de 2026, tanto na Amazônia quanto no Cerrado.
“Nos últimos quatro anos, o Brasil correu atrás do prejuízo e cortou em um quarto as suas emissões brutas. É um feito digno de nota, dado que, nos 13 anos anteriores à publicação de sua Política Nacional do Clima, em 2009, o país viu suas emissões crescerem em dois terços”, afirmou David Tsai, do Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA), coordenador do SEEG. “O fato de essa queda ocorrer tão rapidamente após anos de forte aumento do desmatamento mostra o sucesso do país em criar e aplicar políticas de comando e controle.”
Para outros setores, os dados do SEEG indicam relativa estabilidade das emissões em 2025 em relação a 2024. Na agropecuária houve uma ligeira queda de 0,1% nas emissões, totalizando 626 MtCO2e. Em energia houve alta de 1,2%, de 422 MtCO2e para 427 MtCO2e. Em processos industriais e no uso de produtos não houve mudança significativa nas emissões, que se mantiveram em 94 MtCO2e. E o setor de resíduos registrou alta de 3,6%, passando de 92 MtCO2e para 96 MtCO2e.
Proporcionalmente, o setor de mudança no uso da terra segue sendo o mais representativo das emissões totais do país, respondendo por 39% do total nacional em 2025 (44% em 2024). Ele é seguido pelos setores de agropecuária, com 30% (21% em 2024); energia, com 21% (19%); e processos industriais e resíduos, com 5% cada (4% no ano anterior).
Entre as atividades econômicas, a agropecuária continua sendo a maior emissora de GEE do Brasil, respondendo por 70% das emissões brutas, considerando as emissões diretas do setor e as indiretas decorrentes do desmatamento. Sozinha, a pecuária, incluindo a conversão de vegetação nativa em pasto, emitiu 721 MtCO2e em 2025 — 36% do total emitido e o equivalente às emissões da Austrália, 11º maior emissor de GEE do mundo.
As emissões líquidas do Brasil em 2025 ficaram próximas da meta estabelecida pelo governo federal em sua Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) para o ano. Segundo o SEEG, o país ficou a 85 MtCO2e (6%) de conseguir reduzir suas emissões líquidas a 1,32 GtCO2e. A principal razão para o Brasil não cumprir sua meta foi justamente a disparada do desmatamento no governo Bolsonaro, que registrou os maiores índices históricos de perda de vegetação nativa.
Os dados do SEEG sobre as emissões de GEE do Brasil em 2025 tiveram grande repercussão na imprensa, com destaque para Agência Brasil, Brasil 247, Canal Rural, DW, Folha, g1, Globo Rural, Metrópoles, R7 e Um Só Planeta.
Este conteúdo é originalmente de climainfo.org. Para a reportagem completa, acesse:
https://climainfo.org.br/2026/10/22/emissoes-liquidas-do-brasil-caem-ao-menor-nivel-desde-2012-com-lula/
Fonte: climainfo.org · Por Célia Mello