Eduardo Bolsonaro afirmou na noite desta quarta-feira, 14, em Washington, que Alexandre de Moraes não poderá continuar no Supremo Tribunal Federal (STF) caso seu irmão, Flávio Bolsonaro, seja eleito presidente da República. O ex-deputado federal condicionou seu retorno ao Brasil à extinção da pena que recebeu do ministro e disse que não pretende cumprir a condenação.
“Primeiro a gente vai ter que expurgar esse câncer chamado Alexandre de Moraes da Suprema Corte”, declarou Eduardo a jornalistas brasileiros, pouco antes de participar de um evento organizado pela plataforma Latino Wall Street e pelo portal La Derecha Diario.
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O principal convidado da noite era o presidente da Argentina, Javier Milei, aliado do ex-parlamentar.
Eduardo também afirmou que gostou de saber que Moraes teria procurado um acordo, mas não explicou a que negociação se referia. “Gostei que ele já veio rastejar atrás de um acordo e que o PL rejeitou o acordo”, declarou.
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Nos últimos dias, decisões do STF e movimentos políticos foram interpretados em Brasília como possíveis tentativas de aproximação com o grupo de Flávio. Entre os episódios estão o relaxamento da prisão de Débora Rodrigues dos Santos, conhecida como Débora do Batom, condenada por sua participação nos atos de 8 de janeiro de 2023, e o aceno do ex-presidente Michel Temer ao senador.
Temer foi o responsável pela indicação de Moraes ao Supremo.
Flávio terminou o primeiro turno da eleição presidencial à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A bancada aliada de Jair Bolsonaro no Senado também reuniu parlamentares suficientes para ampliar a pressão em favor de iniciativas de impeachment de ministros do STF, incluindo Moraes, relator do processo que levou à condenação do ex-presidente a mais de 27 anos de prisão.
O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, rejeitou publicamente qualquer tentativa de acordo. Eduardo, por sua vez, afirmou que a permanência de Moraes no Supremo seria incompatível com um eventual governo do irmão.
“E com o Alexandre de Moraes a questão é muito pessoal. E eu também não vejo o Flávio Bolsonaro presidente conseguindo governar com o Alexandre de Moraes da Suprema Corte”, declarou.
Eduardo foi condenado a mais de quatro anos de prisão em regime semiaberto por coação de autoridades, em razão de sua atuação com autoridades norte-americanas em favor de sanções contra integrantes do STF. Na semana passada, Moraes determinou a expedição do mandado de prisão do ex-deputado.
Morador nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025, Eduardo afirmou que não pretende voltar ao país para cumprir a pena. “Não vou puxar cadeia sendo inocente”, disse. Ele também classificou Moraes como um “tirano” e uma “pessoa totalmente fora de controle”.
Aliados de Flávio estudam a possibilidade de aprovar no Congresso, durante a transição de governo, uma anistia para cerca de 2 mil apoiadores de Bolsonaro condenados ou multados, incluindo Eduardo. Caso a medida não avance, interlocutores do senador afirmam que ele poderia conceder indulto ao irmão, ao pai e a outros condenados no dia da posse, prevista para 6 de janeiro.
Eduardo evita confirmar cargo no governo do irmão
Cotado para assumir o Ministério das Relações Exteriores em um eventual governo de Flávio, Eduardo evitou confirmar qualquer definição sobre o posto. Setores do centrão tentam barrar sua indicação e defendem nomes considerados mais palatáveis ao mercado, como o do ex-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento, conhecido como Banco do Brics, Marcos Troyjo.
No núcleo mais próximo da família Bolsonaro, porém, Eduardo é visto como uma figura central na política externa de um possível novo governo. Aliados avaliam que, mesmo sem ocupar formalmente o cargo de chanceler, ele poderia exercer influência sobre a atuação do ministério.
Ao ser questionado sobre o assunto em Washington, o ex-deputado ponderou que a eleição ainda não está decidida. “Flávio está muito ciente de que ainda não tem nada ganho”, afirmou.
Sobre sua relação com Milei, Eduardo disse que os dois mantêm contato informal. Eles trocaram mensagens na terça-feira 13 e combinaram de conversar, embora não houvesse uma pauta específica nem reunião formal acertada.
“Não vamos fazer acordo, vamos tomar um café como amigos e dali vai sair benefício para os dois povos”, declarou, ao comentar a possibilidade de Flávio assumir a Presidência.
Eduardo também afirmou que um eventual governo do irmão pretende se inspirar na política de encarceramento em massa adotada pelo presidente de El Salvador, Nayib Bukele, para combater o crime organizado. Na avaliação do ex-deputado, a vitória de Flávio representaria “o fim da censura da Suprema Corte” no Brasil.
Ele disse estar otimista com o resultado eleitoral, mas voltou a questionar a confiabilidade das urnas eletrônicas brasileiras, alegando que elas não seriam “verificáveis”.
Ex-deputado nega interferência eleitoral dos EUA
Questionado sobre o fundo de US$ 1 milhão liberado pelo governo norte-americano contra o STF cinco dias antes do primeiro turno, Eduardo afirmou desconhecer quem receberia os recursos e negou enxergar uma interferência eleitoral de Washington no momento.
Conforme noticiado pelo portal UOL, o nome do ex-deputado aparece em documentos norte-americanos que justificaram a liberação dos recursos públicos. Eduardo, contudo, argumentou que a interferência estrangeira teria ocorrido na eleição de 2022.
“Interferência teve em 2022”, declarou. Ele afirmou que o então diretor-geral da Agência Central de Inteligência (CIA) foi ao Brasil para pressionar autoridades brasileiras a reconhecerem o resultado eleitoral.
“A gente teve o diretor-geral da CIA indo ao Brasil para nos ameaçar: ‘Ou vocês reconhecem o resultado da eleição, pouco importando se vai ser algo limpo ou não, ou então a gente vai sancionar o país’. Isso daí é que foi grave”, disse. “Então o Brasil já sofreu uma interferência internacional. O que eu vejo agora é justamente o oposto."
O post Eduardo Bolsonaro diz que Moraes não vai seguir no STF se Flávio vencer apareceu primeiro em Revista Oeste.