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Despesa financeira do governo bate R$ 149 bi no 1° semestre, diz estudo

Despesa financeira do governo bate R$ 149 bi no 1° semestre, diz estudo

Brasil Estado | 11/08/2026 às 09:30 | há 2 meses | 4 min de leitura

A despesa financeira do governo federal foi de R$ 149 bilhões no primeiro semestre deste ano, o equivalente a 1,09% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, de acordo com cálculos feitos pelos economistas Matheus Rosa e Lívio Ribeiro, da consultoria BRCG, a pedido do jornal O Globo.

O montante se aproxima de todo o valor registrado no ano passado, que somou R$ 161 bilhões. O aumento das despesas financeiras do governo pressiona ainda mais a dívida pública, uma das maiores preocupações de economistas e analistas do mercado neste momento.

Dentro das despesas financeiras do governo estão operações como aportes em fundos garantidores e repasses para o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e outros bancos em programas de crédito.

O indicador é importante porque avalia as ações do governo fora do gasto primário, levando em consideração os efeitos sobre a economia e a inflação.

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O gasto primário, por sua vez, é o desembolso tradicional do governo – salários, aposentadorias, custeio da máquina e investimentos. Trata-se, em linhas gerais, do valor considerado para o cumprimento do arcabouço fiscal.

O levantamento da consultoria não inclui os gastos com juros da dívida pública, apontados como os itens mais significativos no âmbito das despesas financeiras, mas que não estão sob o guarda-chuva do governo. Em valores orçados, o nível previsto para este ano é o mais alto desde a pandemia.

“Quando se observa os Orçamentos de 2020 a 2023, houve importantes exceções às regras fiscais, que permitiram aumento de despesas”, afirma Matheus Rosa, um dos autores do estudo. “Em 2024, no primeiro ano do novo arcabouço fiscal, observamos que as políticas de crédito facilitado do governo começaram a crescer, com destaque principalmente para esses dois últimos anos."

O que diz o governo

Procurado por O Globo, o Ministério da Fazenda informou que não comenta estudos ou estimativas produzidos por terceiros. Segundo a pasta, no entanto, as despesas financeiras não representam automaticamente um “impulso fiscal”.

“O valor agregado, por si só, não permite concluir que tenha havido um impulso fiscal de R$ 149 bilhões, tampouco quantificar seu impacto sobre a atividade econômica ou a inflação”, diz a Fazenda em nota.

Em relação “a eventuais riscos fiscais”, prossegue o governo, “despesas financeiras são devidamente identificadas no Orçamento, que é construído e bimestralmente avaliado de forma a garantir o cumprimento das regras fiscais vigentes e a trajetória de consolidação fiscal prevista no arcabouço fiscal”.

“Sob o novo arcabouço, o déficit primário está em trajetória decrescente, com queda de mais de 70% entre 2023 e 2025”, completa a Fazenda.

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Dívida pública disparou 10 pontos sob Lula

Segundo dados divulgados no fim de julho pelo Banco Central (BC), a dívida bruta do setor público do Brasil continua em trajetória ascendente sob o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O indicador chegou a R$ 10,8 trilhões em junho deste ano, o equivalente a 81,9% do PIB do país.

A Dívida Bruta do Governo Geral é o valor total de todas as contas que o governo precisa pagar. O índice soma as dívidas do governo federal, dos Estados e dos municípios com bancos, pessoas físicas e outros países, sem descontar o que a União tem guardado em dinheiro ou reservas.

Trata-se, em linhas gerais, de uma espécie de termômetro sobre a solvência do país — ou seja, sobre sua capacidade de honrar os compromissos financeiros. Quanto mais alto o índice, maior o risco de um eventual calote em uma conjuntura mais desfavorável no futuro.

Os dados do BC mostram que a dívida pública brasileira vem escalando desde o início do terceiro mandato de Lula na Presidência da República, em janeiro de 2023.

Ao final do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em dezembro de 2022, a dívida bruta correspondia a 71,7% do PIB. Ou seja, o avanço foi de 10,2 pontos porcentuais no período.

De acordo com o BC, também é o maior patamar da dívida pública do Brasil em relação ao PIB desde abril de 2021, no auge da pandemia de covid-19.

O resultado já se aproxima do recorde histórico registrado pelo país, de 87,6% do PIB, em outubro de 2020, também durante a pandemia.

No acumulado deste ano, segundo os dados do BC, a dívida bruta brasileira subiu 3,3 pontos porcentuais.

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