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Crime organizado expande fábricas clandestinas de cigarros no Brasil

Crime organizado expande fábricas clandestinas de cigarros no Brasil

Brasil Estado | 09/08/2026 às 13:45 | há 2 meses | 2 min de leitura

O crime organizado passou a instalar fábricas clandestinas de cigarros no Brasil para reduzir custos com transporte e diminuir o risco de apreensão das cargas nas rodovias. As unidades produzem ilegalmente cigarros que também falsificam marcas originárias do Paraguai.

Levantamento do Ipec encomendado pelo Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP) identificou 41 fábricas clandestinas fechadas entre 2022 e maio deste ano. Desde 2012, foram 81 unidades ilegais fechadas em 13 Estados.

O Sudeste concentra 55 dessas fábricas, seguido pelo Sul, com 13, Nordeste, com dez, Centro-Oeste, com duas, e Norte, com uma. São Paulo reúne 28 unidades, em cidades como Mogi Mirim, Santa Isabel, Embu-Guaçu, Ribeirão Preto e Ourinhos.

Dados da Receita Federal mostram que as apreensões em Foz do Iguaçu caíram de 122,69 milhões de maços em 2020 para 64,79 milhões no ano passado | Foto: CANVA

Paraguaios eram explorados em fábrica clandestina

Em julho do ano passado, uma operação do Ministério Público do Trabalho encontrou 14 paraguaios em uma fábrica clandestina de Ourinhos (SP), submetidos a condições análogas à escravidão.

A unidade tinha capacidade estimada de produzir 60 mil maços por dia. Os trabalhadores chegaram ao Brasil por via terrestre, depois de atravessarem a fronteira em Guaíra (PR).

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Segundo a fiscalização, o alojamento era insalubre e a jornada de trabalho, extensa. Os trabalhadores relataram ainda ter passado dias comendo apenas bolachas.

Imposto menor favorece contrabando

O cigarro produzido no Paraguai chega ao Brasil por menos da metade do preço praticado no mercado nacional. A carga tributária sobre o produto é de 18% no país vizinho, enquanto nos Estados brasileiros varia de 70% a 90%, segundo Edson Vismona, presidente do FNCP.

De acordo com ele, o mercado ilegal responde por 32% do consumo brasileiro e provoca mais de R$ 7 bilhões em sonegação anual relacionada aos cigarros paraguaios.

https://www.youtube.com/watch?v=Z1EBUz5IxkA

Dados da Receita Federal mostram que as apreensões em Foz do Iguaçu caíram de 122,69 milhões de maços em 2020 para 64,79 milhões no ano passado. A redução pode estar relacionada à abertura de fábricas ilegais no Brasil e à migração dos contrabandistas para outros produtos.

Mesmo com a queda, os cigarros apreendidos em 2025 representaram R$ 421,17 milhões. Uma carreta transporta, em média, mil caixas, com 500 maços cada. Segundo cálculos da Receita, a apreensão de um caminhão pode causar prejuízo de R$ 3,25 milhões aos contrabandistas.

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