Na sexta reunião de 2026 e última antes das eleições gerais no país, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) anunciou mais um corte de 0,25 ponto porcentual na taxa básica de juros (Selic), que agora vai para 13,75% ao ano.
Foi a quinta redução consecutiva dos juros básicos da economia brasileira, que estavam em 14% ao ano. O anúncio foi feito ao final da reunião do colegiado nesta quarta-feira, 16. O encontro dos dirigentes do Copom começou na terça-feira 15.
Com a decisão do Copom, a Selic alcançou o menor nível em um ano e meio, desde março de 2025.
+ Leia mais notícias de Economia em Oeste
O atual ciclo de queda da Selic começou em março deste ano, sempre com cortes de 0,25 ponto porcentual a cada reunião. Naquela ocasião, o Copom promoveu o primeiro corte de juros desde 2024.
Em comunicado, o Banco Central afirmou que a atividade econômica apresenta uma desaceleração gradual, embora o mercado de trabalho continue aquecido. O colegiado também destacou a queda recente da inflação, mas alertou para a permanência das expectativas acima da meta.
Segundo o BC, o cenário exige cautela na condução da política monetária. O Copom afirmou que a extensão do ciclo de redução dos juros dependerá de novas informações sobre a economia e a inflação.
A decisão foi tomada pelos sete integrantes do colegiado, presidido por Gabriel Galípolo.
A taxa básica de juros é o principal instrumento dos bancos centrais para controlar a inflação. Quando a autoridade monetária mantém os juros elevados, o objetivo é conter a demanda aquecida, o que se reflete nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Assim, taxas mais altas também podem conter a atividade econômica.
Inflação no radar
De acordo com dados divulgados na sexta-feira 11 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do país, recuou em agosto e registrou deflação de 0,32% na comparação mensal.
Em linhas gerais, chama-se de deflação a queda média de preços de produtos e serviços, que ocorre de forma contínua. Trata-se de uma “inflação negativa” – ou seja, abaixo de zero.
Na base de comparação anual, no entanto, o indicador ficou em 4,22%. De acordo com o Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta de inflação neste ano é de 3%. Como há um intervalo de tolerância de 1,5 ponto porcentual, para cima ou para baixo, a meta será cumprida se ficar entre 1,5% e 4,5%.
Leia também: "Banco Central dos EUA aumenta taxa de juros pela 1ª vez desde 2023"
Segundo a edição mais recente do Relatório Focus, do BC, que reúne as principais projeções do mercado sobre diversos indicadores econômicos, a inflação no Brasil deve terminar este ano em 4,9%, na base anual, acima do teto da meta. Para 2027, a expectativa é que o IPCA fique em 4,3%.
Já em relação à taxa básica de juros, os analistas do mercado consultados pelo Focus esperam que a Selic feche este ano exatamente no patamar de 13,75%. Em 2027, a estimativa é de juros básicos a 12%.
Copom tem mais 2 reuniões em 2026
A redução de 0,25 ponto porcentual na taxa Selic era amplamente esperada pela maioria dos analistas do mercado financeiro. A reunião do Copom concluída nesta quarta foi a última antes do início do processo eleitoral no Brasil. O primeiro turno das eleições acontece no dia 4 de outubro, e o segundo, em 25 de outubro.
A próxima reunião do Copom, a sétima do ano, está marcada para os dias 3 e 4 novembro. Será o penúltimo encontro da autoridade monetária para definir a taxa básica de juros em 2026. A última reunião do ano acontecerá nos dias 8 e 9 de dezembro.
Leia também: "Casas Bahia contesta plano de recuperação extrajudicial do Pão de Açúcar"
O que diz o comunicado
No comunicado divulgado nesta quarta-feira, o Banco Central afirmou que a economia brasileira apresenta uma desaceleração gradual, embora o mercado de trabalho continue aquecido.
O Copom projeta inflação de 5,2% em 2026 e de 3,9% em 2027. Para o primeiro trimestre de 2028, horizonte considerado pelo BC em suas decisões, a estimativa é de 3,2%.
A autoridade monetária também citou os conflitos no Oriente Médio, as incertezas sobre os juros em economias avançadas e os efeitos da política fiscal brasileira sobre a inflação.
Apesar da redução da Selic, o Copom não se comprometeu com novos cortes. Segundo o colegiado, a extensão do ciclo de queda dos juros dependerá dos próximos dados econômicos.
"O cenário atual, caracterizado por significativo aumento da incerteza, desancoragem das expectativas e riscos elevados em torno do cenário base, demanda serenidade e cautela na condução da política monetária", afirmou o BC.
Leia também: "'Prévia do PIB' vem pior que o esperado, com queda de 0,2% em julho"
O post Na última reunião antes da eleição, BC corta juros pela 5ª vez seguida, para 13,75% apareceu primeiro em Revista Oeste.