A coligação do presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta terça-feira, 29, contra publicações do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) sobre uma declaração do petista que provocou críticas nas redes sociais sobre “toque” em mulheres.
Durante comício em Belém na segunda-feira 28, Lula afirmou que homens resistem ao exame de próstata porque não gostam de “toque” e, na comparação, disse que mulheres “aprendem a tomar toque desde pequenas”.
“As mulheres aprendem a tomar toque desde quando é pequena (…). O homem não, ele não sabe que quando tiver câncer de próstata, vão dar muito toque nele.”
Na ação, a campanha sustentou que a fala se referia a cuidados ginecológicos e acusa o parlamentar de atribuir conotação sexual à declaração. A declaração do petista repercutiu nas redes sociais, sendo alvo de críticas.
Nikolas fez duas publicações nas redes sociais sobre a declaração de Lula. Em um vídeo, o deputado escreveu: “Menina pequena não aprende a tomar toque nenhum, Lula”.
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Segundo a campanha do petista, o parlamentar também empregou expressões como “pedófilo” e “toque vaginal”, que não foram usadas pelo presidente, para atribuir conotação sexual à fala.
Campanha pede retirada de publicações
Na ação apresentada ao TSE, a coligação Brasil Pronto pra Mais contestou especificamente publicações de Nikolas sobre o episódio. Segundo a campanha, Lula tratava de saúde pública e fazia uma comparação entre a resistência dos homens ao exame de próstata e o acompanhamento ginecológico das mulheres desde a puberdade.
A coligação pede que as postagens questionadas sejam retiradas imediatamente das redes sociais e que seja proibida a publicação de conteúdos semelhantes. Também requer a aplicação de multa no valor máximo previsto pela legislação eleitoral.
A advogada eleitoralista Maíra Recchia, que subscreve a ação, argumentou que a interpretação dada à declaração teria transformado uma referência à saúde feminina em conteúdo de natureza sexual.
“Além da deslealdade e caráter desinformativo e manipulado, há uma questão de gênero evidente nesse episódio”, alegou. “Quando se falou de homens, o ‘toque’ foi imediatamente compreendido no campo da saúde e da prevenção. Já quando a referência passou a ser às mulheres e meninas, tentou-se deslocar, em um olhar machista e deturpado, a mesma palavra para o campo sexual. Essa associação não estava na fala original. Ela foi construída posteriormente por má-fé e revela uma forma profundamente machista e equivocada de relacionar sempre em primeiro lugar o corpo e a saúde das mulheres a conteúdos sexuais.”
O post Campanha de Lula vai ao TSE por posts sobre fala de ‘toque’ em mulheres apareceu primeiro em Revista Oeste.