Empresas norte-americanas como Coca-Cola, Tesla e eBay recomendaram ao governo dos Estados Unidos a não adoção de tarifas sobre produtos brasileiros. Elas enviaram os pedidos em 1º de julho ao Departamento de Comércio Americano (USTR). O órgão abriu uma consulta pública para receber comentários de companhias, associações e cidadãos.
As companhias afirmam que as tarifas prejudicam o fornecimento, a produção e o comércio de produtos em território norte-americano.
+ Leia mais notícias de Economia em Oeste
O USTR recebeu, ao todo, 365 comentários de empresas, associações e pessoas físicas.
O que a Coca-Cola disse
A Coca-Cola pediu ao USTR a manutenção da isenção para insumos de laranja importados do Brasil. A empresa também solicitou uma exclusão equivalente ou um regime de transição para insumos de limão usados na fabricação de bebidas.
Segundo a Coca-Cola, a tributação adicional “poderia provocar interrupções nas cadeias de suprimentos” e “elevaria os custos de produção no país”. A fabricante pede que a decisão do USTR “seja direcionada e operacionalmente viável, de forma a alcançar esses objetivos sem causar interrupções desnecessárias à indústria americana de alimentos e bebidas”.
Os Estados Unidos lideram a importação de sumo de laranja congelado do Brasil, segundo a plataforma ComexStat do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic). Em 2026, as exportações brasileiras de laranja para o mercado americano somam US$ 139 milhões. Os EUA ocupam a 15ª posição no destino dos limões brasileiros.
O que a Tesla disse
A Tesla afirmou que as tarifas comprometem a competitividade de seus veículos. A montadora pediu que a decisão do departamento “leve em consideração as limitações das cadeias de suprimentos e outros fatores que atualmente afetam os fabricantes americanos”.
A empresa informou que “investiu bilhões de dólares para estabelecer uma cadeia de fornecimento robusta e verticalmente integrada nos Estados Unidos”. Contudo, destacou que “certos insumos críticos ainda não podem ser obtidos nos Estados Unidos na escala e com a qualidade necessárias para sustentar uma manufatura americana competitiva”.
Leia também: "EUA iniciam audiência sobre tarifa de 25% contra produtos brasileiros"
A companhia utiliza peças e componentes adquiridos no Brasil. Por isso, a Tesla solicitou “medidas cuidadosamente calibradas, que levem em conta essa realidade”.
O que o eBay diz
O eBay também prevê impactos da taxação. Em documento de 13 páginas, a empresa pediu isenção para produtos usados e afirmou que “a isenção evitaria aumento de custos para milhões de famílias americanas”.
Pequenos revendedores realizam parte do comércio internacional da plataforma. O eBay afirma que as tarifas “criaria custos fixos de importação” superiores ao valor dos produtos, inviabilizando operações. A cobrança traria o efeito contrário ao pretendido, pois os consumidores americanos comprariam itens novos e baratos em vez de usados.
Além disso, a empresa diz que a taxação de usados não pressionaria os fabricantes brasileiros, pois eles receberam pelos produtos “zero” anos antes.
O post Coca-Cola, Tesla e eBay pedem aos EUA que não imponham tarifas sobre produtos brasileiros apareceu primeiro em Revista Oeste.