Vinte anos depois do último lançamento, a Capcom traz de volta Onimusha com Way of the Sword, disponível a partir de 4 de setembro para PS5, Xbox Series X|S, Switch 2 e PC. A franquia nasceu em 2001, quando a produtora japonesa decidiu levar a fórmula de Resident Evil para o Japão feudal da era Sengoku.
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O resultado foi Onimusha: Warlords, que misturou folclore japonês a um combate baseado em absorção de almas. Dali saiu o Issen, contra-ataque mortal que virou uma das marcas mais respeitadas do gênero de ação.
Way of the Sword segue Miyamoto Musashi, o espadachim histórico do Japão, reimaginado aqui como um jovem samurai em busca de reconhecimento nos duelos de katana.
Um rosto vindo do cinema clássico japonês
O detalhe mais chamativo do game é o rosto do protagonista. A Capcom modelou Musashi a partir da imagem de Toshiro Mifune, ator de clássicos como Os Sete Samurais e Yojimbo, que também viveu o espadachim na trilogia dirigida por Hiroshi Inagaki nos anos 1950.
A recriação digital teve aprovação da família de Mifune, morto em 1997. O cuidado aparece nas cinemáticas, com enquadramentos e movimentos de câmera que tratam cada cena com peso dramático real.
Não é a primeira vez que a série recorre a rostos famosos: jogos anteriores já usaram as feições de Jean Reno e Takeshi Kaneshiro, este último no papel do herói Samanosuke. A entrada anterior da franquia havia abandonado essa prática, retomada agora.
Uma porta de entrada para quem nunca jogou a série
A história se passa no início do período Edo, numa Kyoto tomada por criaturas demoníacas conhecidas como Genma. O roteiro não exige conhecimento prévio da franquia e funciona como ponto de partida independente.
O tom equilibra tensão dramática com humor físico, no estilo de certas comédias de Akira Kurosawa, sem comprometer a seriedade da missão de Musashi.
O elenco de apoio dá peso à trama. Shizuka é o espírito que habita a Manopla Oni obtida por Musashi e o mantém vivo ao longo da campanha. Ono no Takamura, guardião do templo Rokudo Chinno-ji, atua como mentor e conduz a progressão de habilidades.
Izumo no Okuni, dançarina de kabuki forçada a abandonar os palcos com a invasão dos Genma, completa o grupo com uma perspectiva mais humana. O antagonista, cuja identidade o game reserva para mais adiante na trama, tem a loucura construída sem exageros.
Combinados, esses personagens dão camadas a uma história que, isolada, seria simples.
O combate é a estrela de Onimusha
A base do combate está nas esquivas perfeitas e nos parries precisos, que abrem brechas na guarda dos inimigos e liberam combos com a espada. O issen segue como o golpe mais difícil de executar, com timing rigoroso.
A Capcom adicionou camadas: deflects que atordoam o oponente, parries que aumentam o poder dos ataques e um choque de lâminas que abre espaço para trocas rápidas de golpes. Também é possível usar o cenário como arma, virando mesas ou derrubando estruturas sobre os inimigos.
A produtora afirma ter criado mais de 300 animações só para esse sistema. O arsenal inclui arco e armas Oni movidas a quatro tipos de alma: vermelha (moeda de compra), amarela (cura), azul (armas especiais) e roxa (forma final de Onimusha).
Kyoto como base de operações
Fora das missões principais, o jogador circula por um hub em Kyoto, ambientado no templo Rokudo-chinnoji, onde é possível melhorar equipamentos e comprar amuletos. Dali partem missões secundárias de purificação de bairros tomados pelos Genma.
A cidade cresce aos poucos conforme a campanha avança, e trechos lineares exigem retornar a áreas já visitadas, com atalhos que evitam repetição cansativa. A estrutura lembra o design de jogos de ação japoneses de PS2 e PS3, em um respiro nostálgico em meio à moda dos mundos abertos inchados.
Onde Onimusha tropeça
Os inimigos comuns tendem à passividade, mesmo em dificuldades altas, esperando a vez de atacar em vez de cercar o jogador. É uma escolha de design que reduz o desafio fora dos combates contra chefes.
O nível de dificuldade mais alto só é liberado depois da primeira campanha completa, o que limita quem já quer o desafio máximo de início. Quebra-cabeças mais elaborados, quase ausentes, também fariam falta em meio a tanto combate.
Chefes marcantes e estabilidade técnica
Os confrontos contra chefes exigem aprender o padrão de ataques do oponente e recompensam a paciência, principalmente com o uso do Issen. Uma arena de treinamento permite encarar novamente esses chefes fora da campanha principal.
Tecnicamente, o game usa a RE Engine de forma mais modesta que produções como Resident Evil Requiem, mas roda sem engasgos ou travamentos perceptíveis. A dublagem em japonês, mantida como pilar da apresentação, carrega o peso emocional da narrativa; a versão em inglês cumpre a função sem o mesmo impacto.
Onimusha: Way of the Sword funciona tanto como celebração para fãs antigos quanto como porta de entrada para quem nunca jogou a série. O combate profundo sustenta boa parte da experiência, apoiado por um elenco carismático, chefes memoráveis e o uso respeitoso da imagem de Toshiro Mifune.
As limitações técnicas diante de produções maiores da Capcom, a passividade dos inimigos comuns e o ritmo instável em missões secundárias são os principais senões. Ainda assim, nenhum deles compromete o retorno de uma franquia que ficou tempo demais adormecida.
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