As canetas emagrecedoras devem consolidar um dos segmentos mais lucrativos do varejo farmacêutico brasileiro em 2026. Levantamento da plataforma InfoPrice projeta que os medicamentos da classe dos análogos de GLP-1 devem movimentar cerca de R$ 20 bilhões.
Conforme o estudo, o lucro das canetas emagrecedoras deve ser impulsionado pelo aumento da demanda, pela ampliação da oferta e pelas mudanças previstas no mercado. Os dados foram divulgados em entrevista do CEO da empresa, Paulo Garcia Neto, à revista Exame.
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O medicamento deixou de ocupar um espaço restrito e passou a representar um mercado estruturado no país. A pesquisa foi elaborada a partir da análise de 6,2 milhões de registros de preços coletados em mais de 13 mil farmácias brasileiras e mostra que esses medicamentos já estão presentes em aproximadamente 924 redes varejistas.
“Um mercado projetado em R$ 20 bilhões em 2026, presente em quase 924 redes varejistas, não é mais nicho. GLP-1 virou categoria estrutural do varejo farma brasileiro”, afirmou Paulo Garcia Neto à Exame.
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Na avaliação do executivo, a expansão do segmento tende a provocar mudanças que vão além do aumento das vendas, influenciando desde as negociações com fornecedores até a organização dos produtos nas farmácias.
“E quando uma categoria desse tamanho passa por uma virada competitiva, os efeitos vão muito além do preço da caneta: reorganizam mix, negociação com fornecedores, layout de gôndola”, disse. “O levantamento da InfoPrice captura um momento de transição que o mercado ainda não dimensionou por completo.”
Variação nos preços
O estudo também identificou grande variação nos preços praticados pelas farmácias. De acordo com a pesquisa, algumas canetas chegam a ser comercializadas por até R$ 4.006, enquanto a diferença entre estabelecimentos pode ultrapassar R$ 1 mil para o mesmo medicamento.
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Atualmente, o Mounjaro lidera o segmento, concentrando cerca de 57% de participação no mercado. O levantamento aponta ainda oscilações recentes no preço da versão de 2,5 mg do medicamento, que passou de uma média de R$ 1.706 em março para R$ 1.800 em abril, recuando para R$ 1.722 em maio.
Para Paulo Garcia Neto, essas variações refletem estratégias adotadas pelas redes farmacêuticas para avaliar o comportamento dos consumidores: “A tendência é que esse comportamento se intensifique quando a entrada dos similares pressionar o piso de preço da categoria”.
Genéricos devem ampliar acesso ao tratamento
A expectativa da InfoPrice é de que a entrada de medicamentos genéricos da semaglutida, aliada às mudanças regulatórias previstas para os próximos 18 meses, reduza os preços entre 30% e 50%.
Segundo a análise, essa tendência deverá alterar o perfil dos consumidores. Enquanto pacientes de maior renda tendem a migrar para medicamentos mais modernos e protegidos por patente, a redução dos preços deve ampliar o acesso ao tratamento para pessoas que atualmente não conseguem arcar com os custos.
“O que muda é o volume: uma fatia significativa de pessoas que hoje não acessa o tratamento por questão de preço vai entrar pelo similar, com um comportamento de compra muito mais comparativo e sensível à margem”, explicou o executivo.
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