As autoridades australianas investigam se Hamam al-Hammami, copiloto acusado de atacar o comandante de uma aeronave da Flydubai que seguia de Dubai para Tel-Aviv, passou por um processo de radicalização durante o período em que viveu na Austrália. O episódio ocorreu na quarta-feira 30 e, depois dele ser contido, obrigou a tripulação a realizar um pouso de emergência na Arábia Saudita.
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Segundo a emissora australiana ABC, a apuração está sob a responsabilidade de uma força-tarefa de combate ao terrorismo do Estado de Victoria, formada pela Polícia Federal Australiana (AFP), pela polícia estadual e pela Organização Australiana de Inteligência de Segurança (ASIO).
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O objetivo é esclarecer as possíveis conexões do suspeito com o país. A AFP confirmou à BBC que examina esses vínculos, mas não estabeleceu um prazo para divulgar os resultados.
"Com o passar do tempo, a imagem fica mais clara, o autor passou por uma radicalização islâmica", disse o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu na sexta-feira 2. "Ele veio para derrubar o avião com os passageiros. Estamos investigando se ele foi enviado, e quem o enviou vai pagar um preço muito alto."
O copiloto, de nacionalidade omanense, obteve autorização para estudar na Austrália em 2014 e frequentou instituições de ensino locais entre 2015 e 2017, quando deixou o território australiano. Seu visto foi cancelado em 2019 porque ele já não estava matriculado em nenhum curso, condição necessária para manter o documento. A medida não teve relação com questões de conduta ou antecedentes pessoais.
A identidade de al-Hammami foi confirmada à agência Associated Press (AP) por três pessoas que conhecem o caso, entre elas integrantes do corpo diplomático. As fontes solicitaram anonimato por não terem autorização para prestar declarações públicas.
Antes de ingressar na Flydubai, al-Hammami passou por outras empresas do setor aéreo. Segundo autoridades ouvidas pela imprensa internacional, ele chegou a trabalhar na Oman Air, companhia nacional de Omã, mas foi afastado das atividades de treinamento para pilotagem em razão de preocupações com suas posições consideradas extremistas. Posteriormente, teria recebido outra atribuição na empresa, cujo cargo não foi divulgado.
A marroquina Royal Air Maroc confirmou à agência que ele participou de um curso teórico de três meses em 2025, mas não foi contratado. O omanense também estudou na Buckinghamshire New University, no Reino Unido, onde concluiu, em 2023, uma graduação a distância em administração de aviação, iniciada em 2020. A instituição esclareceu que o curso não incluía aulas práticas de pilotagem.
Escolhas para o voo que ia a Tel-Aviv
As informações sobre o histórico profissional do terrorista suscitaram questionamentos a respeito dos mecanismos utilizados pela Flydubai para avaliar seus funcionários e dos controles adotados pelas autoridades israelenses para autorizar tripulações estrangeiras a operar voos com destino ao país.
Israel mantém acordos com companhias internacionais para impedir que pilotos de países com os quais não possui relações diplomáticas realizem voos para seu território. Omã não mantém relações diplomáticas formais com o governo israelense.
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O professor visitante de segurança da aviação da Universidade de Coventry, Philip Baum, explicou à AP que os procedimentos de verificação de antecedentes variam conforme a legislação de cada país. A troca internacional de informações também enfrenta restrições que podem comprometer a identificação de eventuais riscos.
Os Emirados Árabes Unidos, responsáveis por uma investigação independente sobre o episódio, possuem mecanismos de combate ao extremismo considerados rigorosos, embora suas autoridades já tenham enfrentado críticas relacionadas a falhas de segurança.
O Boeing da Flydubai transportava 174 pessoas quando, aproximadamente duas horas e meia depois da decolagem, o copiloto teria utilizado um machado de emergência disponível na cabine para agredir o comandante, Smit Machchhar, de nacionalidade indiana, e tentar assumir o controle da aeronave.
De acordo com dados do Flightradar24 citados pela ABC, o avião perdeu quase 14 mil pés de altitude, o equivalente a aproximadamente 4,3 mil metros, em menos de 30 segundos. Outros relatos mencionam uma perda acumulada de cerca de 17 mil pés, ou 5,2 mil metros, durante o incidente. Mesmo ferido e caído no chão da cabine, Machchhar conseguiu abrir a porta para que outras pessoas entrassem e contivessem o agressor.
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