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Análise: Fachin manda recado a Dino, Gilmar e Moraes ao defender autonomia do TSE

Análise: Fachin manda recado a Dino, Gilmar e Moraes ao defender autonomia do TSE

Brasil Estado | 01/10/2026 às 22:15 | há 1 semana | 4 min de leitura

Nesta quinta-feira, 1º, às vésperas da eleição, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, divulgou uma nota em defesa da Justiça Eleitoral, da liberdade de escolha do eleitor e da preservação da soberania popular. Embora não cite colegas nem episódios recentes, o texto ganha um significado particular diante da escalada de intromissões do Supremo em decisões tomadas durante a campanha.

Ao exaltar o trabalho do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e dizer que a vontade popular “define o futuro do Brasil”, Fachin estabeleceu uma fronteira institucional num momento em que os ministros Flávio Dino, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes protagonizaram intromissões indevidas no alcance do STF sobre matérias eleitorais.

A mensagem de Fachin é discreta na forma, mas clara no conteúdo: a Justiça Eleitoral tem estrutura própria, competência própria e deve conduzir o processo eleitoral sem ser tutelada pelo Supremo.

https://www.youtube.com/watch?v=guZTCbVTaF0&list=PLVZw0TiSMiCs&index=25&pp=iAQB

Fachin reforça autoridade da Justiça Eleitoral

Na nota, Fachin declarou que a presidência do Supremo “reafirma o compromisso com a democracia e a liberdade de escolha de brasileiras e brasileiros em ambiente de paz”.

Na sequência, sustentou que “o voto é a expressão máxima da cidadania” e acrescentou que a vontade popular deve definir o futuro do país.

É no segundo parágrafo, porém, que a manifestação ganhou maior peso político e institucional.

Fachin atribuiu diretamente à Justiça Eleitoral a responsabilidade pela segurança e pela transparência do pleito. O presidente do STF manifestou “reconhecimento ao Tribunal Superior Eleitoral, aos Tribunais Regionais Eleitorais e aos milhares de juízas e juízes, de servidoras e servidores”.

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O elogio não ocorreu no vazio.

Nas últimas semanas, decisões eleitorais entraram no centro de uma disputa que ultrapassou os limites do TSE e chegou ao Supremo. O caso envolvendo publicações sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Nossa Senhora Aparecida expôs esse conflito de maneira especialmente clara.

Uma decisão do vice-presidente do TSE, André Mendonça, foi derrubada por Dino no STF. A controvérsia provocou reação dentro do próprio STF e, depois, voltou ao TSE, que fixou seu entendimento sobre o caso.

O episódio mostrou que a discussão já não é apenas acerca do conteúdo de uma propaganda, de uma postagem ou de uma decisão específica. O que está em jogo é também o limite da interferência do Supremo sobre o tribunal responsável por organizar e julgar a eleição.

Uma coisa é rever decisão; outra é mudar quem decide

Há uma diferença importante entre o STF analisar uma decisão concreta da Justiça Eleitoral e interferir na própria condução dos processos eleitorais.

O primeiro movimento faz parte do funcionamento normal do sistema judicial. Decisões do TSE podem chegar ao Supremo em hipóteses específicas.

O segundo é muito mais sensível.

Se uma decisão do STF alterar quem controla os processos de propaganda eleitoral, retirar competências de ministros previamente responsáveis por esses casos ou reorganizar a distribuição durante a campanha, o Supremo deixa de apenas revisar um ato. Passa a interferir na estrutura responsável por arbitrar a disputa.

É justamente nesse ponto que a nota de Fachin ganha outra dimensão.

Ao afirmar publicamente que o processo eleitoral seguro e transparente é resultado do “empenho incansável da Justiça Eleitoral brasileira”, o presidente do STF confere respaldo institucional ao TSE num momento de pressão sobre sua autonomia.

Gilmar ampliou, nos últimos dias, sua atuação a respeito de controvérsias eleitorais que chegaram ao Supremo. Moraes, por sua vez, tornou-se ao longo dos últimos anos um dos principais protagonistas das decisões relacionadas a eleições, redes sociais, desinformação e plataformas digitais.

Dino completa esse triângulo ao usar reclamações constitucionais e outros instrumentos do STF para rever decisões produzidas no ambiente eleitoral.

Ao prestigiar a Justiça Eleitoral justamente quando o Supremo amplia sua presença sobre temas da campanha, Fachin sinaliza que há um limite entre controle constitucional e substituição da jurisdição eleitoral.

Leia também: "Chicaneiros de toga", reportagem publicada na Edição 340 da Revista Oeste

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