A alta do diesel pode aumentar os custos do agronegócio, pressionar as margens dos produtores rurais e elevar o preço dos alimentos no Brasil. O alerta foi feito pelo consultor em gestão estratégica no agronegócio Celso Ricardo Ferreira durante o programa A Força do Agro, da Revista Oeste.
Segundo Ferreira, o risco de pressão sobre o abastecimento ocorre em um momento de maior consumo de combustível no campo e de dependência brasileira de importações. Para ele, uma eventual alta do diesel provoca efeitos em cadeia que atingem desde o preparo do solo até o transporte da produção.
O consultor afirmou que o combustível tem impacto direto em operações como plantio, pulverização e colheita. Em culturas irrigadas, como o arroz, o diesel também abastece motores utilizados para o bombeamento de água.
Diesel mais caro aumenta custo do agronegócio
Ferreira explicou que o encarecimento do combustível também afeta o transporte de insumos, peças, máquinas e equipamentos. O aumento do frete pode chegar ao preço dos produtos antes mesmo de eles alcançarem as propriedades rurais.
Na avaliação do consultor, a combinação entre diesel mais caro, juros elevados, endividamento e pressão sobre as margens pode levar produtores a reverem investimentos para a próxima safra. Ele também apontou risco de perda de competitividade do agro brasileiro no mercado internacional.
Outro ponto destacado foi a dependência do transporte rodoviário. Para Ferreira, investimentos em ferrovias e hidrovias poderiam reduzir custos logísticos e diminuir a exposição do setor às oscilações do preço do diesel.
Preço do diesel pode chegar ao supermercado
O impacto não ficaria restrito ao campo. De acordo com Ferreira, o aumento do combustível tende a encarecer o frete e outros serviços relacionados à logística e pressionar o preço final dos alimentos.
O consultor defendeu uma ação coordenada entre governo federal, Estados e Congresso Nacional para reduzir os efeitos de uma eventual alta do diesel sobre o setor produtivo. Entre as medidas citadas estão a ampliação das fontes de fornecimento, a revisão de tributos e investimentos em infraestrutura de transporte.
Ferreira também afirmou que a Petrobras e o governo federal poderiam apresentar alternativas para reduzir os impactos de eventuais choques no mercado internacional de combustíveis.
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