O advogado Marcus Vinicius Furtado Coêlho, conhecido no meio jurídico como “MV”, esteve na Suíça nos dias 2 e 3 de setembro, imediatamente depois de o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal (PF) sobre o Banco Master.
Ex-presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), MV recebeu, por meio de dois CNPJs de seu escritório, R$ 27,5 milhões do banco de Daniel Vorcaro em 2025.
Há registro público da presença do advogado no país: MV participou do Europe-Brazil Legal Summit, realizado em Lugano, na Villa Negroni. O evento reuniu advogados, executivos e juristas brasileiros. Estavam entre os participantes Luís Roberto Barroso, ex-ministro do STF; o atual presidente da OAB, Beto Simonetti; Felipe Santa Cruz, também ex-presidente da entidade; e os advogados Antônio Carlos de Almeida Castro, mais conhecido como Kakay, e Carlos Eduardo Caputo Bastos.
Milhões de reais em um ano
A relação profissional de MV com o Master está documentada em registros fiscais e em peças oficiais. Dados da Receita Federal (RF) enviados à CPI do Crime Organizado mostram que o banco pagou R$ 27,5 milhões a escritórios ligados ao advogado somente em 2025. O valor colocou a banca entre as maiores recebedoras de recursos do Master destinados a serviços jurídicos naquele ano.
O detalhe dos CNPJs chama atenção. O escritório de MV já possuía uma unidade constituída em Brasília desde 2012. Essa sociedade recebeu R$ 10 milhões do Master em 2025. Em janeiro daquele mesmo ano, contudo, a banca abriu outro CNPJ, desta vez em Belo Horizonte. A unidade recém-criada recebeu R$ 17,5 milhões do banco. Somados, os pagamentos aos dois CNPJs chegaram aos R$ 27,5 milhões registrados pela Receita.
Quando a existência da nova empresa foi revelada pelo jornal Folha de S.Paulo, o escritório afirmou possuir outras unidades e informou que advoga para centenas de empresas no Brasil, inclusive dezenas de clientes em Minas Gerais.
Levantamento baseado em dados da Receita mostrou que o banco destinou cerca de R$ 304,5 milhões a escritórios de advocacia em 2025. A banca de Marcus Vinicius ficou entre as maiores recebedoras.
Contratado para defender o negócio Master-BRB
Há também documentação sobre a finalidade de pelo menos parte da atuação jurídica de Marcus Vinicius para o Master. Em 23 de maio de 2025, dois diretores do Banco Master, Angelo Antonio Ribeiro da Silva e Luiz Antonio Bull, assinaram procuração em favor do escritório Marcus Vinicius Furtado Coêlho Advocacia.
A procuração concede poderes ao escritório especificamente para atuar “em defesa da aquisição do Banco Master pelo BRB” e defender a operação “em todos os seus aspectos”, com a missão de demonstrar sua “legitimidade e vantajosidade”. A peça integra documentação apresentada ao Tribunal de Contas da União.
Naquele momento, a compra do Master pelo Banco de Brasília estava sob escrutínio de autoridades e órgãos de controle. O negócio havia sido anunciado em março de 2025 e dependia da aprovação regulatória.
A cronologia financeira também é específica. A unidade de Belo Horizonte foi criada em janeiro de 2025. Quatro meses depois, em maio, o Master assinou a procuração que entregava à banca poderes para defender a aquisição pelo BRB.
Ao longo daquele ano, o CNPJ mineiro recebeu R$ 17,5 milhões do banco. Outros R$ 10 milhões foram destinados à unidade mais antiga, de Brasília.
As iniciais “MV” nas mensagens
O nome de Marcus Vinicius voltou ao noticiário nesta semana por outra razão. Reportagem da revista piauí, baseada em conversas encontradas pela Polícia Federal no material de Daniel Vorcaro, revelou bastidores de uma festa organizada pelo banqueiro em outubro de 2023.
Nas mensagens, o então ministro das Comunicações, Fábio Faria, escreveu que uma pessoa identificada pelas iniciais “MV” telefonaria a Vorcaro para perguntar se poderia convidar “Wesley”. Vorcaro respondeu afirmativamente.
A piauí observou que as iniciais poderiam ser uma referência a Marcus Vinicius Furtado Coêlho. O advogado tem relação profissional com os empresários Wesley e Joesley Batista e também trabalhou para o Master.
Marcus Vinicius nega ser o “MV” daquela conversa. Disse ainda que, na data da festa, estava fora de São Paulo.
Um advogado instalado no centro de Brasília
MV presidiu o Conselho Federal da OAB de 2013 a 2016. Antes disso, ocupou a secretaria-geral da entidade. Atualmente preside a Comissão Nacional de Estudos Constitucionais da Ordem e mantém atuação frequente perante o STF e o Superior Tribunal de Justiça.
Ao longo da carreira, também participou de comissões de juristas do Congresso e integrou discussões legislativas de alcance nacional.
Sua banca mantém endereços em Brasília e São Paulo, além de outras unidades. No caso Master, os documentos já disponíveis colocam o escritório em uma posição concreta: recebeu dezenas de milhões de reais do banco e recebeu poderes formais para defender perante autoridades a operação com o BRB.
+ Entenda de Política em Oeste
O post Advogado que recebeu R$ 27,5 milhões do Master viajou para a Suíça depois da quebra de sigilo da investigação apareceu primeiro em Revista Oeste.